A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais para o segundo turno das eleições presidenciais antecipou o confronto entre familiares, apoiadores e colaboradores da campanha do senador do PL em torno da escolha do nome para comandar o Ministério da Fazenda num eventual governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A disputa ocorre num momento de maior pressão da campanha após a ofensiva do governo Lula (PT) contra a sinalização dada pela campanha de Flávio de um corte de R$ 200 bilhões de despesas, cerca de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto).

Os movimentos para influenciar a escolha ganharam contornos mais claros na última semana, depois que Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito para o Governo de , com 62,65% dos votos. Ele agora está visivelmente atuando para promover a campanha de Flávio, após divergências com a família Bolsonaro, que reclamou do que seria uma falta de empenho do governador pelo presidenciável no primeiro turno.

O “efeito Tarcísio” colocou em cena o nome do economista e ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto para o comando da pasta de maior poder da Esplanada dos Ministérios. Campos Neto contaria com apoio do governador de São Paulo. No mercado financeiro, o nome dele também começou a circular.

Na terça-feira (6), Flávio Bolsonaro e o governador desembarcaram juntos no Terminal Executivo do Aeroporto de , depois que Tarcísio acompanhou o senador a Goiânia em um encontro para formalizar o apoio do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à candidatura no segundo turno.

Tarcísio também atuou para alinhar o apoio do seu partido, o Republicanos, e também do União Brasil, PP e Podemos à campanha de Flávio Bolsonaro.

Campos Neto nunca escondeu a amizade com Tarcísio, construída em Brasília, nos anos em que os dois trabalharam juntos no governo Jair Bolsonaro. A amigos, o executivo tem dito que está focado na estratégia de expansão internacional do Nubank, onde ocupa o cargo de vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas.

Procurados, Tarcísio e Campos Neto não comentaram.

 

A interlocutores, o governador tem dito que vai contribuir naquilo que for consultado, mas que não vai apresentar nomes, pois o foco é ganhar a eleição agora.

Do outro lado da disputa, está o apoio de Eduardo Bolsonaro a Marcelo Kayath, sócio da gestora QMS Capital e que ocupou posições de alta liderança no Credit Suisse.

Eduardo teve papel fundamental na escolha feita por Jair Bolsonaro por Flávio para concorrer à Presidência, enfrentando a preferência da Faria Lima e de empresários ligados ao bolsonarismo que preferiam Tarcísio. Por isso, aliados avaliam que Eduardo terá peso na decisão do nome para o Ministério da Fazenda, caso Flávio confirme nas urnas o seu favoritismo.

Mesmo fora do núcleo da equipe econômica de campanha, Kayath fez a aproximação de Flávio com banqueiros e empresários e tem falado com desenvoltura sobre o ajuste fiscal necessário para botar as contas públicas numa trajetória de estabilidade para os juros caírem, além de planos para o Brasil crescer.

O financista, no entanto, já começou a sofrer “fritura” nas frentes bolsonaristas. Como mostrou a reportagem, ele causa estranhamento e até insatisfação entre apoiadores de Flávio. O desconforto vem do histórico e da postura atual do ex-banqueiro. No passado, Kayath já apoiou o presidente Lula e fez críticas à gestão do ex-ministro Paulo Guedes e sua equipe, quando à frente do Ministério da Economia.

No meio da disputa, está Daniella Marques, que é oficialmente a porta-voz econômica, mas está mais cotada a assumir um superministério da área social. Ela já vinha colaborando com a equipe de Flávio, mas, em junho, decidiu se afastar de suas funções na Legends Capital para se dedicar integralmente à campanha, assumindo a coordenação do plano de governo.

 

Mesmo fora do núcleo da equipe econômica de campanha, Kayath fez a aproximação de Flávio com banqueiros e empresários e tem falado com desenvoltura sobre o ajuste fiscal necessário para botar as contas públicas numa trajetória de estabilidade para os juros caírem, além de planos para o Brasil crescer.

O financista, no entanto, já começou a sofrer “fritura” nas frentes bolsonaristas. Como mostrou a reportagem, ele causa estranhamento e até insatisfação entre apoiadores de Flávio. O desconforto vem do histórico e da postura atual do ex-banqueiro. No passado, Kayath já apoiou o presidente Lula e fez críticas à gestão do ex-ministro Paulo Guedes e sua equipe, quando à frente do Ministério da Economia.

No meio da disputa, está Daniella Marques, que é oficialmente a porta-voz econômica, mas está mais cotada a assumir um superministério da área social. Ela já vinha colaborando com a equipe de Flávio, mas, em junho, decidiu se afastar de suas funções na Legends Capital para se dedicar integralmente à campanha, assumindo a coordenação do plano de governo.

A senadora é amiga de Campos Neto. No início da campanha, quando ela estava discutindo a vaga para ser vice, Tereza chegou a ter uma conversa informal com Flávio sobre nomes para a equipe e defendeu Campos Neto para a Fazenda.

Críticos de Tarcísio e de Campos Neto apontam que a atuação do ex-presidente do BC no caso Master poderia trazer problemas para Flávio no futuro. Por outro lado, amigos do ex-presidente do BC citam que ele tem um compromisso com o Nubank e que está fazendo um trabalho decisivo para a expansão da instituição financeira fora do Brasil, especialmente nos Estados Unidos, o que também o afastaria de Brasília.

OS COTADOS PARA A FAZENDA DE FLÁVIO:

Adolfo Sachsida

Foi ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro. É próximo de Jair e de Carlos Bolsonaro.

Também é cotado para uma pasta de infraestrutura ou para o Planejamento.

Alexandre Bettamio

Executivo do Bank of America. Seria o preferido de Daniella Marques, coordenadora do plano de governo.

Daniella Marques

Porta-voz econômica. Foi presidente da Caixa no governo Jair Bolsonaro. Também é cotada para um superministério da área social.

Vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank, presidiu o Banco Central entre 2019 e 2024. Tem o apoio de Tarcísio de Freitas.

Rogério Marinho

Senador (PL-RN), foi ministro do Desenvolvimento Regional no governo Jair Bolsonaro. É apontado como possível escolha surpresa.

FONTE: MIDIAMAX