
Janaína Feitosa e Moacir Feitosa trabalham na confecção de fantasias (Foto: Kisie Ainoã)
A menos de uma semana para o desfile das escolas de samba de Campo Grande e o ritmo é acelerado nos barracões. Com horário para chegar e não para sair, os voluntários se desdobram para terminar a montagem de fantasias e carros alegóricos. E esses trabalhos intensos não são exclusivos do período pré-festa. Acostumados com a liberação dos repasses “em cima da hora”, eles garantem que precisam trabalhar “pesado” o ano inteiro se quiserem fazer bonito na avenida.
Na tarde de terça-feira (18), a reportagem do Campo Grande News percorreu três barracões de escolas de samba: a Deixa Falar, Igrejinha e a Unidos da Vila Carvalho. Em todas elas o mesmo ritmo intenso.
O carnavalesco Francis Fabian resume ser “difícil fazer Carnaval” na Capital de Mato Grosso do Sul, mas reconhece que, aos poucos a realidade está mudando. As dificuldades citadas por ele tem relação, dentre outras coisas, com a falta de patrocínio e até o prazo em que são feitos os repasses do Governo do Estado e da Prefeitura, sempre muito próximos à data do desfile, mas eles conseguem superar sem perder o rebolado. Para isto, eles fazem promoções durante todo o ano.
“A gente tem que fazer tudo calculado senão se frustra”, conta Fabian, pensando no orçamento das escolas e lembrando também dos imprevistos. Este ano, por exemplo, ele e outros carnavalescos foram até São Paulo comprar matéria-prima para realização do Carnaval e acabaram chegando na cidade em meio a chuvas intensas, quando vários bairros ficaram completamente alagados.

Voluntário da Deixa Falar trabalha na confecção de fantasia (Foto: Kisie Ainoã)

Costureira faz últimos ajustes em fantasia (Foto: Kisie Ainoã)
O dinheiro arrecadado para compra dos materiais teve de ser usado para garantir mais um dia de estadia do carnavalesco na cidade, mas ele e os outros profissionais conseguiram voltar para casa com toda a matéria-prima em mãos.
Tanto a Deixa Falar, quanto a Igrejinha quanto a Unidos da Vila Carvalho trabalham com confecção própria. Eles não compram as fantasias que sobram das escolas de outros estados e preferem começar do zero. O resultado é muito trabalho, mas eles parecem não se incomodar, conforme conta Carlinhos da Cruz, da Igrejinha.
“Daqui para frente é trabalho direto. A gente não consegue nem dormir direito”, diz. Segundo Carlinhos, são horas e mais horas de trabalho antes da escola sair na avenida, mas “aquele momento compensa tudo. É uma emoção muito grande”.
A emoção é tanta que parece ser impossível se acostumar. Isto vale até para quem “vive” o Carnaval há 46 anos. Este é o caso do vice-presidente e mestre de bateria da Vila Carvalho, Wlauer Castro Carvalho. “A gente chega aqui de dia e só vai embora à noite
Wlauer conta que os problemas são inúmeros e não exclusivos de Campo Grande. “O que muda é a proporção, mas no Rio de Janeiro e em São Paulo acontecem as mesas coisas”, diz.
Falando especificamente dos repasses, ele diz que “não dá pra esperar”. Eles usam o dinheiro apenas para pagar serviços já contratados e não ficar com dívidas. E com tantos impasses não é difícil entender o porquê de ele insistir na festa. “Carnaval é isso. Não tem que só gostar. Tem que amar”.
Às vezes o amor ao Carnaval e ao trabalho envolvido gera até frutos, como é o caso de “Valentina”, filha da cantora Janaína Feitosa, de 38 anos, e o marido dela Moacir Feitosa, de 28 anos, que se conheceram durante a correria pré desfile da Vila Carvalho e estão nunca mais se separaram.
Montando as fantasias da escola, Janaína conta ser uma “loucura” todo esse trabalho, mas diz gostar. “Quando acaba fica todo mundo triste”.
Fonte: Maressa Mendonça – Campo Grande News




