Mesmo com a queda da inflação, os preços dos alimentos resistem nos últimos meses. De acordo com o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), os itens da cesta básica caíram 1,25% em agosto, no entanto, o índice voltou a subir firme em setembro, com alta de 1,82%.
A redução de impostos sobre os combustíveis diminuiu parte do custo de vida, mas, como já mostrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os demais grupos de pesquisa resistem em cair.
A medição oficial do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cravou alta de 0,44% para o grupo alimentos e bebidas em Campo Grande. Esse dado, contudo, é referente ao mês de agosto.
A prévia da inflação de setembro, medida por meio do IPCA-15, apresentou uma retração de 0,47% em nível nacional. Mesmo com o número animador para o País, a pesquisa nacional da Cesta Básica de Alimentos, do
Dieese, revela que os itens que compõem a cesta básica aumentaram consideravelmente nos primeiros nove meses deste ano.
Itens como leite (40,26%), banana (36,08), farinha (26,40%), pão (23,45%), feijão (15,35%), batata (10,43%) e café (1,00%) são os que apresentaram altas de janeiro até setembro deste ano.
O litro do leite saiu de R$ 4,70 e foi a R$ 6,41 no período. Já o quilo da banana custava R$ 6 e passou a R$ 7,99 no comparativo entre dezembro de 2021 e setembro de 2022. Outro item entre os vilões, a batata custava R$ 3,75 e agora é comercializada a R$ 4,13.
Na outra ponta, tomate (-35,18%), carne (-1,75%), óleo (-1,65%) e arroz (-0,93%) foram os produtos com queda analisada pela pesquisa.
O tomate saiu de R$ 7,99 para o preço médio de R$ 5,17. O quilo da carne de primeira custava R$ 40,92 e no mês passado reduziu a R$ 40,19.
O doutor em economia Michel Constantino explica que o IPCA-15 é um índice que engloba vários produtos e serviços. “A leve queda no valor do diesel é um dos fatores que ajudam a reduzir os valores dos alimentos, mas tem outros fatores como a oferta de alguns alimentos, a redução de produtos da época, o aumento das chuvas, preço do frete e o diesel que acabam ajudando na redução dos custos de produção”.
Conforme publicado na edição do Correio do Estado da sexta-feira (7), tanto o valor do frete quanto o preço dos combustíveis derivados de petróleo podem subir. A expectativa é em decorrência do corte internacional da produção do óleo combustível.
“É importante observar nos próximos meses a compra de diesel da Rússia, essa maior oferta pode trazer mais informações sobre o impacto nos preços”, considera o economista.
PRODUÇÃO
Segundo Andreia Ferreira, economista do Dieese em Campo Grande, as quedas medidas em setembro são sazonais. “Tivemos variações de preços, que estão estáveis em alta, muito mais em função das alterações de safra, no clima e de custos de produção do que custo de transporte”, comenta.
Proprietário de supermercado há 30 anos, Maurício Goiaba comenta que produtos como carne, óleo e relacionados a commodities não baixaram de preço por conta do preço do dólar.
“No caso do arroz e feijão, esses baixaram um pouco por causa de oferta. No caso dos hortifrúti, é lei de oferta e procura. Não caíram muito [os preços] por causa de custo de produção e logística. O custo aumentou muito e não caiu, e o diesel caiu muito pouco. Então o que regula o preço do produto é cadeia produtiva e logística, e na logística quem manda é o diesel”, finaliza.
Constantino explica que Mato Grosso do Sul sofre com a dependência de suprimento de alimentos e vários itens de consumo de outros estados.
“Com um mercado aquecido e um Estado dependente de outros estados para as compras de alimentos da cesta básica, os custos ligados a transporte/logística e energia impactam diretamente nos preços finais”, explica.
A economista Adriana Mascarenhas frisa que os preços de itens de sacolão, frutas e legumes e quase toda a cesta básica aumentaram no decorrer do ano porque Mato Grosso do Sul não é autossuficiente na produção de vários deles.
“No caso dos hortifrútis, geralmente vêm tudo de São Paulo, com aumento dos combustíveis, isso pressionou o preço do frete para cima. As intempéries climáticas também podem ter afetado a oferta desses produtos e, com baixa oferta e alta demanda, a tendência é de que os preços subam”, analisa.
COMBUSTÍVEIS
De acordo com o IBGE, a inflação dos 12 meses anteriores chegou a medir 12,85% no mês de abril em Campo Grande, auge da escalada de preços no País. A queda se iniciou em maio, com a medição atingindo 12,07%, manteve-se estável em junho, com 12,06%, mas realmente se acentuou nos últimos dois meses, quando o índice recuou para 10,13% em julho e 8,73% em agosto.
Em um contexto de forte pressão inflacionária, a medida encontrada foi a redução dos impostos que incidiam sobre os combustíveis. Os impactados causados em grande parte pela Política de Paridade Internacional da Petrobras, tributos estaduais e federais muito altos na composição do preço, câmbio e oferta mundial desregulados, fizeram o preço da gasolina passar de R$ 7,00 e o litro do diesel de R$ 8,00.
Por conta da promulgação da lei complementar nº 193, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de gasolina e etanol foram rebaixados a patamares de 17% e 11,3%, respectivamente.
Em contrapartida, a taxação do óleo diesel em MS sempre foi a menor, fixada em 12%. Por esse motivo, os valores tributados sobre esse combustível não sofreram alteração com a redução do ICMS.
O litro do diesel vendido ao consumidor apresentou redução em Mato Grosso do Sul na comparação com o mês de julho, no qual o preço atingiu o maior patamar deste ano. As quedas vieram após duas retrações nas refinarias da Petrobras.
O diesel comum recuou R$ 0,94, saindo de R$ 7,30 em julho para R$ 6,36 na última pesquisa, retração de 12,8%.
Com o preço atrelado ao mercado internacional e uma oferta composta por 20% de diesel importado, a variação do barril do petróleo mais o câmbio em alta fizeram os preços e a inflação saltarem com força no primeiro semestre de 2022.
FONTE: CORREIO DO ESTADO




