Pressionado por críticas de educadores e estudantes, o Ministério da Educação (MEC) abriu uma consulta pública para a avaliação e reestruturação da política nacional de Ensino Médio.
A portaria foi publicada no mês de março, com um prazo de 90 dias para as manifestações e possibilidade de prorrogação. Pensando nisso, na tarde desta terça-feira (11), foi realizada, em Campo Grande, uma audiência pública para debater o modelo de ensino adotado em escolas de todo o Estado.
O deputado estadual, Professor Pedro Kemp (PT), anfitrião da audiência, aproveitou o espaço de fala para expor sua preocupação com o futuro dos alunos, que, com o Novo Ensino Médio, tendem a sair da escola já com alguma formação profissional, o que os distancia do interesse em cursar o Ensino Superior.
“Nós queremos um Ensino Médio que dê uma formação sólida para os nossos jovens, uma formação geral em que ele possa, depois, optar por qual profissão que ele vai abraçar e vai poder disputar uma vaga na Universidade. Esse Novo Ensino Médio quer afastar o jovem da Universidade, ele quer que ele saia do ensino médio com alguma formação profissional e desista de concorrer uma vaga na universidade”, afirmou.
“Isso é uma conspiração contra os filhos da classe trabalhadora”, acrescentou
O deputado pede pela discussão de uma nova proposta, com participação de professores, que são os que verdadeiramente entendem as necessidades dos alunos, a fim de garantir um ensino de qualidade para os estudantes sul-mato-grossenses.
“Os nossos professores estão esgotados, estão com problemas de saúde mental, porque os projetos caem de cima pra baixo, eles não são ouvidos e eles têm que aplicar aquilo que não foram consultados. Estão adoecendo os nossos educadores”, destacou. “Nós precisamos de reconquistar a autonomia dos professores nas escolas. Professor tem que ter prazer em dar aula, em chegar a preparar e discutir com seus alunos, sem pressão, sem fiscalização como está acontecendo hoje. Professor é formado, ele é habilitado, ele tem capacidade de desenvolver o seu trabalho”, concluiu.
O também anfitrião e presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Jaime Teixeira, afirmou que o movimento sindical já está cansado de discussões sobre o tema, porque o Novo Ensino Médio só trouxe prejuízos aos professores.
“Nós cansamos de receber os companheiros discutindo. Ninguém sabia como trabalhar esse novo projeto que foi jogado aqui nas escolas do Mato Grosso do Sul e do Brasil inteiro. Isso sem falar que terceirizou 30% dos trabalhadores no Brasil”, comentou.
Segundo Teixeira, em dois anos já será perceptível o empobrecimento da formação dos adolescentes.
“Nossos futuros professores, nossos futuros engenheiros, nossos futuros advogados, alunos da escola pública, vão ter muitas dificuldades de concorrer no Enem, porque o empobrecimento do currículo está aqui”.
O presidente da Fetems aproveitou para criticar o antigo Governo, que teve uma “dança das cadeiras” de ministros.
“Não posso esquecer que o último governo brasileiro teve quatro e ministros em quatro anos, e um deles, em uma entrevista em rede nacional, disse o seguinte: Vocês tão reclamando de universidade? A universidade não tem que ser para todos’, e só faltou dizer: ‘tem que ser pra elite brasileira'”, relembrou.
O movimento dos professores no Brasil promete publicar o documento “Revoga já Ensino Médio”. No dia 14 de abril, será realizado um “panfletaço” na Capital para conscientizar a população sobre o movimento.
NOVO ENSINO MÉDIO
A política de implementação do novo Ensino Médio foi aprovada em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer.
Todas as mudanças na grade educacional ocorreriam de forma escalonada até 2024, e uma das propostas era ampliar a carga horária diária de cinco horas para sete horas, totalizando 1,4 mil horas anuais.
Com o novo modelo, todos os estudantes terão aulas direcionadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além de terem o direito de escolher disciplinas eletivas que aprofundem o aprendizado nas seguintes áreas do conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, e Ciências Humanas.
A oferta de disciplinas eletivas depende da capacidade estrutural das redes de ensino e das escolas. Neste ano, a implementação do novo Ensino Médio segue com a oferta dos cursos e itinerários no 1º e 2º ano na maior parte das escolas.
Segundo a Secretaria de Estado de Educação (SED), a implementação do novo Ensino Médio em Mato Grosso do Sul tem 125 novas unidades curriculares, sendo duas obrigatórias, por comporem os itinerários formativos, e 123 eletivas, em que a escola organiza diferentes aprofundamentos em áreas de conhecimento para a escolha dos estudantes.
As 123 unidades eletivas estão assim distribuídas: 38 na área de Linguagens e suas tecnologias; 30 na área de Matemática e suas tecnologias; 26 na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; e 29 na área de Ciências da Natureza e suas tecnologias.
SAIBA
Conforme documento da Secretaria de Estado de Educação, as novas unidades curriculares do novo Ensino Médio disponibilizam disciplinas eletivas como: Brinquedos e Brincadeiras Antigas; Feminismo; Cartografia; e Como fazer Sabão.
FONTE: CORREIO DO ESTADO




