Transparência

Rota da Celulose garante 101 km de duplicação da BR-262 em trecho crítico de MS

Contrato de concessão da rodovia e de outras quatro será assinado nesta segunda-feira pelo governo e pela concessionária Caminhos da Celulose
Adriel Mattos
Rodovia BR-262 será duplicada apenas entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. (Foto: Saul Schramm, Secom-MS)

A assinatura nesta segunda-feira (2) do contrato da Rota da Celulose, que contempla as rodovias MS-040, MS-338 e MS-395, BR-262 e BR-267, na região leste de Mato Grosso do Sul, inclui a duplicação do trecho da BR-262 entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Essa extensão da estrada federal é conhecida por vários acidentes.

Na manhã de hoje, o governador Eduardo Riedel e os representantes da concessionária Caminhos da Celulose assinam, no auditório da Governadoria, o contrato de concessão. O grupo de empresas deverá apresentar o planejamento dos serviços para os 30 anos de operação.

A rodovia corta o Estado de leste a oeste, tendo 1.082 km de extensão, ligando Corumbá a Três Lagoas, passando por cidades importantes como a capital, Campo Grande. Desse total, 328,2 km serão concedidos ao Consórcio Caminhos da Celulose.

Acidentes são comuns na estrada, caracterizados principalmente pela gravidade e, algumas vezes, por imprudência. Ao longo dos anos, o Jornal Midiamax vem mostrando essa situação, principalmente das colisões envolvendo veículos pesados. E o fluxo de carretas deve aumentar por conta das indústrias de celulose se instalando na região do bolsão.

Em novembro de 2025, três pessoas morreram após um acidente na rodovia, no trecho entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, após uma ultrapassagem malsucedida. Em abril de 2022, um motociclista morreu esmagado após uma colisão envolvendo um caminhão na Capital.

Duplicação da BR-262 terá apenas 100 quilômetros

Conforme o estudo da licitação da Rota da Celulose, a BR-262 registrou, em março de 2023, um volume médio diário de veículos de 2.084 (60%) carros de passeio e 1.335 (40%) carros comerciais, totalizando 3.419 veículos passando por toda a extensão.

Apesar disso, apenas 101,73 km da estrada serão duplicados, no trecho entre a Capital e Ribas do Rio Pardo. Pelo Programa de Investimentos da concessão, as obras devem ser executadas entre o segundo e o terceiro ano de operação, ou seja, entre 2027 e 2028.

O início do trecho duplicado está fora do perímetro urbano de Ribas, em frente à sede da fábrica da Suzano, e termina no Anel Rodoviário de Campo Grande — entroncamento com a BR-163. Como parte da extensão na Capital é duplicada, a concessionária deverá readequar a pista.

A BR-262 terá quatro praças de pedágio: nos km 31 (Três Lagoas, perto da divisa com São Paulo), 104 (Três Lagoas, perto da divisa com Água Clara), 207 (Ribas do Rio Pardo) e 292 (Campo Grande).

Por fim, Água Clara e Ribas do Rio Pardo ganharão contornos rodoviários. Nessas duas cidades, há duas indústrias de celulose: a Suzano, já em operação em Ribas, e a Bracell, em processo de implantação em Água Clara.

O contorno em Ribas terá 12 km em pista dupla. Já o de Água Clara será em pista simples, com 6 km de extensão. E, em Campo Grande, as marginais no perímetro urbano serão ampliadas.

Transparência

Rota da Celulose garante 101 km de duplicação da BR-262 em trecho crítico de MS

Contrato de concessão da rodovia e de outras quatro será assinado nesta segunda-feira pelo governo e pela concessionária Caminhos da Celulose
Adriel Mattos
Rodovia BR-262 será duplicada apenas entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. (Foto: Saul Schramm, Secom-MS)

A assinatura nesta segunda-feira (2) do contrato da Rota da Celulose, que contempla as rodovias MS-040, MS-338 e MS-395, BR-262 e BR-267, na região leste de Mato Grosso do Sul, inclui a duplicação do trecho da BR-262 entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Essa extensão da estrada federal é conhecida por vários acidentes.

Na manhã de hoje, o governador Eduardo Riedel e os representantes da concessionária Caminhos da Celulose assinam, no auditório da Governadoria, o contrato de concessão. O grupo de empresas deverá apresentar o planejamento dos serviços para os 30 anos de operação.

A rodovia corta o Estado de leste a oeste, tendo 1.082 km de extensão, ligando Corumbá a Três Lagoas, passando por cidades importantes como a capital, Campo Grande. Desse total, 328,2 km serão concedidos ao Consórcio Caminhos da Celulose.

 

Acidentes são comuns na estrada, caracterizados principalmente pela gravidade e, algumas vezes, por imprudência. Ao longo dos anos, o Jornal Midiamax vem mostrando essa situação, principalmente das colisões envolvendo veículos pesados. E o fluxo de carretas deve aumentar por conta das indústrias de celulose se instalando na região do bolsão.

Em novembro de 2025, três pessoas morreram após um acidente na rodovia, no trecho entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, após uma ultrapassagem malsucedida. Em abril de 2022, um motociclista morreu esmagado após uma colisão envolvendo um caminhão na Capital.

Duplicação da BR-262 terá apenas 100 quilômetros

Conforme o estudo da licitação da Rota da Celulose, a BR-262 registrou, em março de 2023, um volume médio diário de veículos de 2.084 (60%) carros de passeio e 1.335 (40%) carros comerciais, totalizando 3.419 veículos passando por toda a extensão.

Apesar disso, apenas 101,73 km da estrada serão duplicados, no trecho entre a Capital e Ribas do Rio Pardo. Pelo Programa de Investimentos da concessão, as obras devem ser executadas entre o segundo e o terceiro ano de operação, ou seja, entre 2027 e 2028.

O início do trecho duplicado está fora do perímetro urbano de Ribas, em frente à sede da fábrica da Suzano, e termina no Anel Rodoviário de Campo Grande — entroncamento com a BR-163. Como parte da extensão na Capital é duplicada, a concessionária deverá readequar a pista.

A BR-262 terá quatro praças de pedágio: nos km 31 (Três Lagoas, perto da divisa com São Paulo), 104 (Três Lagoas, perto da divisa com Água Clara), 207 (Ribas do Rio Pardo) e 292 (Campo Grande).

Por fim, Água Clara e Ribas do Rio Pardo ganharão contornos rodoviários. Nessas duas cidades, há duas indústrias de celulose: a Suzano, já em operação em Ribas, e a Bracell, em processo de implantação em Água Clara.

O contorno em Ribas terá 12 km em pista dupla. Já o de Água Clara será em pista simples, com 6 km de extensão. E, em Campo Grande, as marginais no perímetro urbano serão ampliadas.

Mapa mostra o trecho a ser duplicado na BR-262. (Arte: Giovana Gabrielle, Jornal Midiamax)

Duplicação pode começar no 2º ano

Como a duplicação pode começar apenas em 2027, a Caminhos da Celulose deve focar em outras atividades neste primeiro ano de concessão. Num primeiro momento, deve haver serviços de manutenção nas rodovias.

No primeiro ano, a concessionária deve instalar todos os postos do SAU (Serviço de Atendimento ao Usuário), o PPD (Ponto de Parada e Descanso) e o CCO (Centro de Controle de Operações), além de readequar os postos da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e implantar o posto de fiscalização da PF (Polícia Federal).

Na BR-262, os SAU ficarão no km 1 (Três Lagoas, após a ponte sobre o Rio Paraná), km 76 (Três Lagoas, a 62 quilômetros da cidade), km 141 (Água Clara, a 35 quilômetros da cidade), km 211 (Ribas do Rio Pardo, a 7 km da cidade) e km 286 (Campo Grande, perto do Anel Rodoviário).

O CCO será implantado no mesmo local do SAU de Campo Grande. Já o PPD estará em Água Clara, a 58 quilômetros depois do município.

Os postos da PRF continuam em Três Lagoas, Água Clara e Campo Grande. E o posto da PF será em Três Lagoas, a poucos metros do SAU.

Todas essas obras devem ser concluídas no 12º mês de concessão, entrando em operação em janeiro de 2027.

Pedágio na BR-262

A cobrança de pedágio na rodovia será no sistema free-flow. Ou seja, o motorista pode seguir viagem, enquanto um pórtico sobre a rodovia registrará a placa.

Caso o veículo tenha a tag eletrônica fixada, a cobrança será automática com desconto de 5%. Se não tiver, a tarifa será cobrada por meio do site ou do aplicativo da concessionária, vencendo 30 dias após a passagem.

As praças de pedágio ficarão nas quatro cidades cortadas pelo trecho da BR-262, especificamente nos km 39, 104, 207 e 292. Os preços sugeridos variam de R$ 13,70 a R$ 18.

Vale lembrar que esses valores são aqueles previstos no edital. A Caminhos da Celulose ofereceu desconto de 9% na proposta; portanto, o preço deve mudar após a assinatura do contrato.

Rota da Celulose

plano da Rota da Celulose prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos, sendo R$ 6,9 bilhões em capex e R$ 3,2 bilhões para despesas operacionais ao longo de 30 anos de contrato.

Entretanto, serão concedidos 870,3 quilômetros da Rota da Celulose, que ganhou esse nome por ser formada por rodovias importantes para a cadeia produtiva da celulose em Mato Grosso do Sul.

O trecho contempla extensões das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395; e das federais BR-262 e BR-267. Ademais, a concessão prevê recuperação, operação, manutenção, conservação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade do sistema rodoviário pelo prazo de 30 anos.

Contudo, após a falta de interessados na primeira tentativa de leiloar a Rota da Celulose, o projeto passou por alguns ajustes no edital. Entre eles, um modelo econômico-financeiro que reduz os investimentos obrigatórios durante os primeiros quatro anos de operação, uma das demandas apresentadas pela iniciativa privada.

A projeção de receita dos 20 anos de operação também foi alterada. A concessionária deverá duplicar 115 km de rodovias, construir 457 km de acostamentos e 245 km de terceiras faixas, além de 12 km de vias marginais.

Ainda, serão implantados 38 km de contornos urbanos, 25 acessos, 22 passagens de fauna e 20 alargamentos de pontes. Estão contempladas, também, obras especiais e estruturas como pontes e passarelas, totalizando 3.780 m².

Pedágio na Rota da Celulose

O novo modelo de concessão considera a instalação de 12 praças de pedágio nos trechos.

São eles:

  • 1 em Três Lagoas;
  • 1 em Água Clara;
  • 1 em Nova Andradina;
  • 1 em Nova Alvorada do Sul;
  • 2 em Ribas do Rio Pardo;
  • 2 em Campo Grande;
  • 2 em Santa Rita do Pardo;
  • 2 em Bataguassu.

Entre as novidades, a concessão deve aderir a pórticos de cobrança de pedágio automático, chamada de Free Flow. Em relação à tarifa quilométrica, o projeto reajustou para R$ 0,19 por quilômetro em pistas simples e R$ 0,26 para pista dupla.

Além disso, para composição da política tarifária, foram adotados os parâmetros de diferenciação de tarifa entre as de pista simples e de pista dupla (40% superior).

Descontos

A cobrança de pedágio será 100% eletrônica (sistema Free Flow), com desconto de 5% na tarifa para usuários optantes do sistema de tag válido (AVI); descontos progressivos de até 20% da tarifa para veículos de passeio, conforme a frequência; e isenção de cobrança para motocicletas.

A intenção é entregar as rodovias que formam a rota para a iniciativa privada, com o intuito de economizar nos investimentos e promover melhorias. Com isso, pretende-se alavancar ainda mais a região leste do Estado.

Disputa pela concessão da Rota da Celulose

Em maio de 2025, o Consórcio K&G venceu o leilão da concessão da Rota da Celulose. O grupo é formado pelas empresas Galápagos Participações Ltda. e K Infra Concessões e Participações Ltda.

O consórcio ofereceu desconto de 9% na tarifa de pedágio, com aporte de R$ 217.389.913,70. Já o Consórcio Caminhos da Celulose, segundo colocado, chegou perto, ao ofertar 8% de desconto, com aporte de R$ 195.619.568,80. Um terceiro consórcio e uma empresa disputaram o certame.

Já em agosto, o Consórcio K&G foi desclassificado, após o leilão de maio, e o Governo do Estado convocou o segundo colocado, o Consórcio Caminhos da Celulose. Em setembro, foi homologado o resultado do julgamento, que declarou vencedor o segundo colocado no leilão.

O Consórcio Caminhos da Celulose é composto pelas seguintes empresas:

  • XP Infra V Fundo de Investimento em Participações (CNPJ 55.128.678/0001-46);
  • CLD Construtora, Laços Detetores e Eletrônica Ltda. (CNPJ 55.996.615/0001-01);
  • Construtora Caiapó Ltda. (CNPJ 00.237.518/0001-43);
  • Ética Construtora Ltda. (CNPJ 26.631.473/0001-80);
  • Distribuidora Brasileira de Asfalto Ltda. (CNPJ 26.917.005/0001-77);
  • Conter Construções e Comércio S.A. (CNPJ 60.829.215/0001-41);
  • Conster Construcoes e Terraplanagem Ltda. (CNPJ 46.271.383/0001-33).

O Consórcio K&G tentou reverter a desclassificação na Justiça, mas o resultado foi mantido.

 

FONTE: MIDIAMAX