O velório da 4º vítima de feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul foi marcado por comoção entre familiares e amigos da jovem, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos. O último adeus à menina aconteceu na manhã desta quinta-feira (26), em Campo Grande. A jovem foi morta pelo então namorado, Wellington Patrezi Batista Pereira, de 20 anos, que se entregou após cometer o crime.

A avó paterna da jovem, Jandira Domingues, não escondeu a tamanha dor em ter que sepultar a menina. “Eu vou chamá-la de bebê, eu sempre a chamei assim. A gente não quer acreditar, eu queria protegê-la embaixo da minha saia”, disse a idosa, visivelmente abalada.

A idosa conta que o apartamento em que a jovem tinha se mudado recentemente foi presente dela. Jandira relata que a relação com a neta era de companheirismo e muito próxima e, por isso, resolveu presentear a jovem. “Eu falei para o meu filho [pai da jovem]: ‘Já que ela vai morar com você, dá o apartamento para ela’. O apartamento estava alugado”, relata Jandira.

Assim, o pai de Beatriz, José Domingues, preparou o imóvel para receber a jovem. Beatriz já estava morando com o pai e com os irmãos, e tinha se mudado para o apartamento para viver sozinha. A idosa então afirmou que gostaria que Beatriz morasse com os demais irmãos, dois adolescentes, um de 12 e outro de 14, para ter mais segurança. “Eu falei para meu filho colocar os outros dois irmãos dela para morar lá. Para cuidar dela, proteger. Eu sempre quis protegê-la, cuidar dela” relata.

Última conversa

Jandira relatou que planejava visitar a neta. Entretanto, estava esperando a jovem se estabilizar na nova casa e emprego. “Eu estava dando um tempo e, em março, ia tirar uns dez dias do meu serviço para visitá-la”, explicou.

A idosa conta ainda que conversou com a neta na terça-feira (24) à noite. Na conversa, as duas se atualizaram sobre o cotidiano de cada uma. A avó relata ainda que se preocupava com a jovem, visto que tomava remédios contínuos. “Eu falei, ‘bebê, você está se cuidando? Indo ao médico, tomando seus remédios’”, conta. Contudo, a jovem respondeu ao questionamento da avó afirmando que faria isso depois que se estabilizasse no serviço. Em prantos, a idosa afirmou: “não deu tempo”.

A última mensagem enviada por Beatriz à avó foi um emoji, às 00:32, horas antes de ser assassinada.

Feminicidio

De acordo com o boletim de ocorrência, um policial militar estava trabalhando no 2º BPM (Batalhão da Polícia Militar) quando ouviu um barulho no portão da unidade. Logo, o policial se deparou com Wellington, que havia ido até a unidade de bicicleta. Ele pediu que fosse ouvido e confessou ter matado sua namorada e que queria se entregar.

Diante da confissão, os policiais foram até o local do crime, em um apartamento de um condomínio residencial. Wellington deu a chave do imóvel aos militares e revelou a motivação do crime. Ele alegou que estava discutindo com Beatriz e, em determinado momento, ela teria lhe dado um soco. Assim, o jovem a enforcou.

Ao perceber que Beatriz estava morta, Wellington falou com um irmão e disse que decidiu se entregar no 2º BPM. A Polícia Civil e a Perícia foram acionadas para o local e o jovem foi preso pelo crime de feminicídio.

Na mesma semana em que Beatriz foi assassinada, Nilza de Almeida Lima foi morta esfaqueada em Coxim, a 239 quilômetros de Campo Grande. O feminicídio que vitimou Nilza aconteceu no domingo (22); assim, Beatriz é a segunda vítima do crime em quatro dias no Estado.

 

FONTE: MIDIAMAX