O empresário Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura”, comandava os negócios da família em Sidrolândia mesmo preso no Presídio de Trânsito de Campo Grande. Ele voltou para a prisão em 26 de fevereiro justamente por conta da rede de apoio que montou enquanto esteve na Capital.

O Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) apresentou à Justiça um relatório preliminar das conversas entre Ueverton e a esposa dele, Juliana Paula da Silva. Os agentes conseguiram comprovar que o empresário teve acesso a um telefone celular durante a primeira prisão preventiva, entre outubro de 2024 e setembro de 2025.

Ficou demonstrado que era “Frescura” do outro lado quando ele e a esposa citavam nominalmente os filhos do casal. A prova crucial foi uma selfie que Ueverton enviou para a companheira.

“A conduta mais grave, contudo, foi a utilização do dispositivo para organizar uma rede de apoio composta por pessoas de sua confiança. Essa rede tinha o objetivo de realizar movimentação de valores para ocultar a real origem e propriedade do patrimônio, visando burlar medida judicial de bloqueio de bens”, aponta o relatório.

Essa rede de apoio foi a base da Operação Camuflagem, deflagrada pelo Gecoc e pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, em 26 de fevereiro de 2026.

Frescura pagava hotel para família e monitorava juiz de Sidrolândia

O empresário usava o celular para comandar negócios da família e monitorar a situação jurídica dele. Em maio de 2025, ele fez uma reserva em um hotel de Campo Grande para a esposa e os dois filhos.

“Tá reservado pra vocês. Sábado e domingo. Pode ficar até segunda. Já se programa. Arruma as malas”, escreveu Frescura para Juliana.

Ainda naquele mês, Ueverton pediu que a esposa encontrasse um corretor de imóveis para avaliar uma proposta. “Vai lá amanhã falar com ele”, solicitou.

Em outro trecho do relatório, os agentes citam conversa do empresário comentando a despedida do juiz Fernando Moreira Freitas da Silva, então titular da Vara Criminal de Sidrolândia.

Silva deixou o cargo para assumir a função de professor de Direito da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). O juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva assumiu a comarca de Sidrolândia logo depois.

“Esse conhecimento prévio sobre a movimentação funcional do magistrado evidencia que Ueverton da Silva Macedo, mesmo segregado cautelarmente, monitorava o mundo externo, sobretudo a autoridade judiciária responsável pela condução dos processos criminais em seu desfavor”, dizem os investigadores.

Nova operação em Sidrolândia mira alvos da Tromper e prende cinco por corrupção

Em 26 de fevereiro de 2026, o Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou, em Sidrolândia, a Operação Camuflagem, um desdobramento da Tromper, com o objetivo de apurar o crime de lavagem de dinheiro, na modalidade de ocultação e dissimulação de bens, direitos e valores.

Os promotores do Gecoc e da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia constataram que um dos membros da organização criminosa estaria usando uma rede estruturada de apoio formada por pessoas e empresas para movimentar dinheiro, ocultar bens e tentar evitar o bloqueio judicial.

Essa estrutura incluía uso de contas bancárias de terceiros, empresas registradas em nome de “laranjas” e até do nome de pessoas para fazer pagamentos e movimentações financeiras para o investigado e a família, inclusive durante o período em que esteve preso.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e cinco de prisão. Os alvos foram Ueverton da Silva Macedo (“Frescura”), a esposa dele, Juliana Paula da Silva, e os empresários Evertom Luiz de Souza Luscero e Gleidson Cabral Nobre.

A Operação Camuflagem tem esse nome para remeter à tentativa de esconder a verdadeira origem e titularidade de valores, usando uma rede de apoio destinada a ocultar as movimentações financeiras.

Construção de casas para lavar dinheiro

Conforme apurado pela investigação, a estrutura envolvia o uso de contas bancárias de terceiros, empresas formalmente registradas em nome de comparsas e a interposição de pessoas para a realização de pagamentos e movimentações financeiras em benefício de Frescura e de sua família — inclusive enquanto o empresário cumpria medidas cautelares.

Conforme apurado pela reportagem, o empresário compra terrenos para construir imóveis e, depois, vende. Flaviana seria contratada por “Frescura” para assinar os projetos de engenharia.

Tudo isso para movimentar dinheiro, ocultar bens e tentar evitar o bloqueio judicial. A cidade virou centro de escândalos de corrupção nos últimos anos, a partir da deflagração da Operação Tromper, que revelou esquema de desvios milionários em contratos de obras, chefiado pelo então secretário de Fazenda — e genro da ex-prefeita Vanda Camilo — Claudinho Serra.

FONTE: MIDIAMAX