O empresário Gerson Chahuan Tobji teve o segundo pedido de liberdade negado pela Justiça em Mato Grosso do Sul. Ele é um dos 18 presos na última ação contra o jogo do bicho, realizada em novembro de 2025.

Em janeiro, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande havia negado habeas corpus a Gerson por entender que não havia motivos para rever a prisão preventiva. A defesa recorreu alegando que ele teria direito aos mesmos benefícios de outros réus, que conseguiram deixar a cadeia cumprindo medidas cautelares.

Seguindo o voto do relator Jonas Hass Silva Júnior, os desembargadores da 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) apontaram que Gerson tinha papel importante na organização criminosa.

“O precedente invocado foi proferido com base em circunstâncias individualizadas do corréu beneficiado, consideradas relevantes para a conclusão de que medidas cautelares diversas da prisão seriam suficientes naquele caso específico. Os elementos constantes dos autos indicam que o paciente [Gerson Chahuan Tobji] desempenharia papel de maior relevo na estrutura da organização criminosa investigada, com atuação voltada ao gerenciamento de atividades ilícitas e vínculos financeiros e operacionais com outros integrantes do grupo”, diz o acórdão do julgamento.

O resultado desse julgamento foi publicado na edição desta quinta-feira (23) do Diário da Justiça Eletrônico.

Papel de Gerson Chahuan Tobji no grupo

O MPMS apontou que Gerson chegou a organizar a abertura de um cassino para a organização criminosa. Ele ainda era responsável por armazenar dados sobre o grupo em um pen drive.

A ligação do empresário com o jogo do bicho seria comprovada, de acordo com a Promotoria, por uma série de pagamentos feitos a ele pelo deputado estadual Neno Razuk (PL) — apontado como líder da organização criminosa —, pelo advogado Rhiad Abdulahad e por um terceiro investigado em outra fase da ação.

Foram identificados R$ 70,3 mil em transferências feitas por esse terceiro, R$ 9,2 mil de Neno e R$ 109 mil de Rhiad.

Gaeco deflagra quarta fase da Operação Successione

Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a quarta fase da Operação Successione, contra uma organização criminosa que explora jogos ilegais.

Foram expedidos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã. Alvos também foram identificados no Paraná, em Goiás e no Rio Grande do Sul.

Em dezembro de 2023, o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande, após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019.

O deputado estadual Neno Razuk (PL) — filho de Roberto Razuk — é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa que contava com policiais militares como ‘gerentes’ do grupo que controlava o jogo do bicho no Estado.

Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul de MS. Até a década de 1990, o esquema em todo Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores.

Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name e a região de Dourados e Ponta Porã passou para Roberto Razuk. O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da revista Piauí, em dezembro de 2024.

Família Razuk e mais 20 são denunciados e serão julgados por jogo do bicho

O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL), seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk, e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.

A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025, no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7.º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro. Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande acatou a denúncia do MPMS.

De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.

A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.

“A organização criminosa se mantém ativa e atuante […] visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e Região”, apontam os promotores de Justiça Gerson Eduardo de Araújo, Antenor Ferreira de Rezende Neto, Tiago Di Giulio Freire e Moisés Casarotto.

 

FONTE: MIDIAMAX