Mato Grosso do Sul pode voltar a sofrer os efeitos de um novo tarifaço dos Estados Unidos. Na segunda-feira (1), o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) anunciou uma proposta de taxa de 25% sobre importações do Brasil.

Entre os produtos listados, está o etanol. O Estado tem três indústrias ativas nesse setor, com várias outras em fase de implantação. Isso significa que o impacto dessa medida pode ser sentido por aqui.

De acordo com o Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), o Estado é o 4º maior produtor de etanol e o 2º maior produtor de etanol de milho. O setor sucroenergético é responsável pela geração de mais de 34 mil empregos diretos.

Com 52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moídas na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul deve alcançar uma produção recorde de 5 bilhões de litros de etanol. O Estado já responde por 13,5% da produção nacional de etanol, com destaque para o etanol de milho, que representa 44% do total produzido.

O que diz o governo americano sobre o etanol?

No documento publicado pelo USTR, o governo americano explica que os dois países tinham um equilíbrio, chegando ao ponto do Brasil suspender uma tarifa de 20% sobre importações do biocombustível.

Isso mudou em 2017, quando foi criada uma cota isenta de impostos de 600 milhões de litros. Tudo aquilo importado além desse limite tem uma tarifa de 20%.

Essa medida teria sido tomada sob pressão da indústria brasileira de etanol e cana-de-açúcar. Para os Estados Unidos, a situação hoje ficou insustentável.

“Os atos, políticas e práticas oneram ou restringem o comércio dos EUA porque as exportações de etanol dos EUA estão cada vez mais incapazes de competir no mercado brasileiro, dadas as altas tarifas do Brasil, enquanto o Brasil exporta um valor significativamente maior de etanol para os Estados Unidos”, diz o ato regulatório publicado pelo USTR.

Foi aberta uma consulta pública até 1º de julho para definir se há elementos para que sejam impostas tarifas ao Brasil. O relatório final será submetido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que poderá decidir se autoriza ou não esse novo tarifaço.

Indústria de etanol em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul produziu 4,8 milhões de metros cúbicos de etanol em 2025, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). De etanol hidratado, foram 3,7 milhões, e de etanol anidro, 1 milhão.

São 22 instalações produtoras no Estado. Desse total, três usinas produzem etanol de milho em Sidrolândia, Dourados e Maracaju.

A mais recente em operação é a Neomille, em Maracaju. Inaugurada em 2024, a usina tem capacidade de processar 608 mil toneladas de milho, produzir 266 milhões de litros de etanol, 161 mil toneladas de DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) e 10 mil toneladas de óleo.

A Inpasa controla as outras duas unidades em Dourados e Sidrolândia. Em 2026, foram anunciados investimentos da Pioneiras em Jaraguari e da Atvos em Nova Alvorada do Sul.

 

FONTE: MIDIAMAX