Em protesto pelo cumprimento do reajuste salarial de 5,4%, professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) se reuniram na manhã desta sexta-feira (12) em frente à ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública). A mobilização teve início por volta das 8h e seguiu em caminhada até a Prefeitura de Campo Grande, onde a categoria busca uma reunião com a prefeita Adriane Lopes (PP).

Com a paralisação, escolas da rede municipal amanheceram com os portões fechados, o que impactou cerca de 112 mil alunos e 8.500 professores. Apesar da suspensão das atividades, a ACP afirma que não haverá prejuízo aos estudantes, já que o dia letivo será reposto posteriormente.

Reajuste de 5,4%

Presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, explica que a principal reivindicação da categoria é o cumprimento do reajuste de 5,4% previsto na política de valorização do Piso 20 horas da Rede Municipal de Ensino.

“Hoje é uma paralisação geral da educação. Temos 100% das escolas paradas, 8.500 professores mobilizados e 112 mil alunos, infelizmente, sem aula”, declarou.

Segundo ele, o percentual já era de conhecimento público desde janeiro, mas não foi incorporado ao pagamento referente ao mês de maio, recebido pelos servidores no início de junho.

“Nós avaliamos os argumentos da Prefeitura, mas a categoria não aceitou e não abre mão da valorização. Estamos buscando uma solução para que, a partir da próxima semana, quando a categoria voltar a se reunir, não seja necessário deliberar por uma greve”, afirmou.

‘Queremos evitar uma greve’

Bronzoni destacou que a paralisação é uma tentativa de evitar um movimento grevista, mas reforçou que a greve continua sendo um instrumento legítimo de luta dos trabalhadores.

“A greve é um instrumento de luta e defesa da classe trabalhadora. Nós sabemos do prejuízo causado à educação e aos profissionais, que precisam repor as aulas posteriormente, mas é um instrumento garantido à categoria”, disse.

Gilvano Bronzoni também afirmou que a entidade espera abrir um canal de diálogo com o Executivo municipal para evitar uma greve geral. Segundo ele, o sindicato entrou em contato com o secretário municipal de Governo antes da caminhada para solicitar uma reunião com a prefeita Adriane Lopes.

“Esperamos um bom diálogo com a prefeita para que não tenhamos greve. Informamos que a categoria sairia da ACP em direção à Prefeitura e solicitamos que fôssemos recebidos o mais breve possível. A categoria não vai sair da frente da Prefeitura enquanto não for recebida”, afirmou.

Segundo ele, o secretário informou que a equipe da Prefeitura já estava mobilizada para receber os manifestantes e que, assim que a categoria chegasse ao Paço Municipal, seria organizada uma comissão para participar de uma reunião e discutir uma possível solução para o impasse.

‘Reivindicamos o que foi prometido’

Professor da Emei Jardim Carioca, Wilmo Alves Pagani, afirma que a mobilização busca garantir o cumprimento de um acordo já firmado anteriormente pela administração municipal.

“Na realidade, isso aqui é uma cobrança do que a prefeita já tinha prometido. Foi feita uma repactuação, depois um novo acordo, e o reajuste deveria ter sido pago agora, neste mês. É um valor de 5% a mais no salário, mas isso não foi cumprido. Então, estamos reivindicando aquilo que foi prometido. Se a promessa foi feita, ela precisa ser cumprida”, disse.

O educador, que trabalha com crianças de 4 e 5 anos, também destacou os desafios da profissão.

s pessoas acham que, às vezes, é fácil ser professor, mas é algo complicado. Você precisa gostar do que faz. Nós cuidamos de crianças, e isso envolve uma responsabilidade enorme. Todo mundo passa pelas mãos de um professor em algum momento da vida. Por isso, a gente merece respeito.”

Categoria cobra novas Emeis

Professora há 28 anos, Carla Loureiro atua com crianças de 3 e 4 anos e defendeu o cumprimento do acordo firmado com a categoria e a ampliação das Emeis.

“Foi feito um acordo para o nosso reajuste. É um direito nosso. Também precisamos de mais Emeis e não apenas do aumento do número de salas. Não podemos perder os parques e os espaços que temos nas escolas”, afirmou.

A educadora também criticou a falta de valorização da profissão. “Eu valorizo todas as profissões. Os professores precisam ser valorizados assim como médicos, advogados e tantos outros profissionais. Mas não vemos essa valorização. Não consigo entender essa visão de mundo em que o professor é tratado como inimigo.”

Paralisação

A paralisação foi aprovada durante Assembleia Geral Extraordinária realizada pela ACP na segunda-feira (8). Na ocasião, os profissionais avaliaram a resposta apresentada pela Prefeitura ao pedido de cumprimento do reajuste de 5,4%, previsto na política de valorização do Piso 20 horas da Rede Municipal de Ensino.

Em resposta, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) informou que o reajuste do Piso Nacional do Magistério passou por mudanças na metodologia de cálculo, resultando no índice de 5,4%. No entanto, segundo a pasta, os municípios não receberam aumento proporcional nos repasses do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

“Mesmo diante desse cenário, a gestão municipal segue empenhada na construção de soluções responsáveis, preservando o equilíbrio fiscal e garantindo a continuidade dos investimentos na educação pública, sempre por meio do diálogo, do respeito e da negociação institucional”, informou a secretaria.

O que diz o Governo Federal?

Já o Governo Federal informou em nota que apenas em 2026, Campo Grande recebeu R$ 400,4 milhões em recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), valor que representa um aumento de aproximadamente 3% em relação ao montante repassado em 2025.

Segundo a União, os recursos do Fundeb são distribuídos conforme critérios constitucionais e legais definidos pela Constituição Federal e pela Lei nº 14.113/2020. O governo também destacou que a complementação federal ao fundo não está vinculada ao pagamento de reajustes salariais específicos aos profissionais da educação.

“A complementação da União ao Fundeb possui critérios constitucionais e legais próprios, não estando vinculada à concessão de reajustes remuneratórios específicos pelos entes federativos”, informou.

Ainda conforme a nota, a definição da política salarial dos profissionais da educação básica é uma atribuição dos estados, municípios e do Distrito Federal, respeitando as regras de aplicação dos recursos da educação e do próprio Fundeb.

 

FONTE: MIDIAMAX