O interrogatório dos policiais José Laurentino dos Santos Neto e Vinícius Araújo Soares — réus pela morte de Rafael da Silva Costa durante abordagem — foi marcado para agosto na 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Rafael, de 35 anos, morreu no dia 21 de novembro do ano passado, quando estava sob efeito de drogas e em surto em supermercado no bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande. A suspeita é de que ele teve uma crise convulsiva. Câmeras de segurança registraram a abordagem e o momento em que Rafael foi derrubado violentamente na calçada.

José Laurentino estava preso e Vinícius era monitorado por tornozeleira eletrônica. Eles tiveram suas prisões revogadas em maio deste ano, após a primeira audiência de instrução e julgamento do caso. Na segunda-feira (15), foi realizada a segunda audiência e a Justiça determinou uma audiência em continuação para 5 de agosto.

Na ocasião, serão ouvidas testemunhas arroladas pela defesa de Vinícius e os réus serão interrogados a partir das 15h30.

Com a revogação da prisão dos policiais, foi determinada a proibição de se aproximar dos familiares da vítima, devendo manter uma distância mínima de 300 metros. Eles também estão proibidos de se ausentar da comarca sem autorização judicial e deverão comunicar à Justiça sobre eventual mudança de endereço.

Abordagem truculenta

Uma semana após o ocorrido, a reportagem obteve acesso às imagens de câmeras de segurança do estabelecimento onde ocorreu a abordagem. Os registros mostram Rafael sendo derrubado violentamente na calçada e, aparentemente, sendo agredido com cassetete.

Também foi possível visualizar o momento em que os policiais usaram spray de pimenta e disparos de arma de choque para tentar conter o homem.

O advogado Walisson dos Reis Pereira da Silva, que representa a família de Rafael, disse ao Jornal Midiamax que houve uma ação truculenta.

“As imagens desmentem tudo o que a Polícia Militar alega. Na verdade, o Rafael ficou calmo quando a polícia chegou. Ele foi abordado, estava pedindo ajuda, e o policial algemou ele. Jogaram ele no chão, deram socos e pontapés na cabeça dele, além de choque e spray de pimenta. Entendemos que o Rafael passou por uma sessão de tortura praticada por policiais militares, que cometeram o crime de homicídio, de tortura, de homicídio com dolo eventual”, defende.

“Não tinha a intenção de matar, mas assumiram o risco de produzir esse resultado. Eles jogaram Rafael desmaiado, sem respirar, dentro da viatura, como se fosse um porco. O sargento, que já fez isso em outra ocasião, com outra vítima, falou com ele, disse: ‘Acorda, vagabundo, eu já te conheço’. Ou seja, esse policial também já o agrediu antes, e isso tem que ser investigado”, frisa.

O que diz o boletim de ocorrência?

Segundo o boletim de ocorrência, Rafael estava sob efeito de drogas, paranoico e em surto em um supermercado. A PM (Polícia Militar) foi acionada para o local e deu voz de prisão ao homem, por desacato. Na tentativa de imobilizar a vítima, os militares utilizaram spray de pimenta e três disparos de arma de choque, além de derrubá-la no chão, momento em que ela teve convulsões.

Segundo o relato policial, os agentes utilizaram arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular, modelo Taser X2 nº 2800KW56. Eles teriam disparado três vezes contra a vítima, sendo duas na região do peito.

 

FONTE: MIDIAMAX