A Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) divulgou, na manhã desta segunda-feira (13), uma nota de pesar pela morte do ex-prefeito de Campo Grande e ex-deputado estadual Alcides Bernal, que morreu durante a madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, vítima de um infarto provocado por trombose em uma artéria do coração. Ele completaria 61 anos nesta terça-feira (14).

Na manifestação oficial, a Casa de Leis prestou solidariedade aos familiares e destacou a trajetória política de Bernal, que exerceu os cargos de vereador, deputado estadual e prefeito da Capital.

A morte ocorreu enquanto Bernal estava preso preventivamente pelo assassinato do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini. O ex-prefeito havia sido detido em 24 de março deste ano após se entregar à polícia. No início de julho, passou por uma cirurgia cardíaca na Santa Casa de Campo Grande, retornou ao Presídio Militar e, no fim de semana, sofreu um novo infarto. Ele foi novamente encaminhado ao hospital, mas não resistiu.

Trajetória política

Natural de Corumbá, Bernal era advogado e ganhou notoriedade como radialista antes de ingressar na política. Foi eleito vereador de Campo Grande em 2004 e reeleito em 2008 como o mais votado da Capital. Em 2010, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Em 2012, venceu a eleição para a Prefeitura de Campo Grande, encerrando duas décadas de predominância do então PMDB no comando do município. A gestão, porém, foi marcada por sucessivos conflitos com a Câmara Municipal, dificuldades de governabilidade e pela crise provocada pela epidemia de dengue.

Em março de 2014, tornou-se o primeiro prefeito cassado da história de Campo Grande, sob acusações de irregularidades em contratos emergenciais, remanejamento de recursos sem autorização legislativa e falta de transparência. Após uma disputa judicial, retornou ao cargo em agosto de 2015 por decisão do TJ (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Bernal ainda disputou as eleições municipais de 2016, mas terminou em terceiro lugar. Posteriormente, tentou concorrer a deputado federal, porém teve a candidatura considerada inapta em razão da inelegibilidade.

Prisão por homicídio

A carreira política teve desfecho definitivo em 2026, quando Bernal foi preso pelo assassinato do auditor tributário Roberto Carlos Mazzini.

Segundo a denúncia, o crime ocorreu em 24 de março, quando a vítima foi até um imóvel arrematado em leilão para tomar posse da propriedade, acompanhada de um chaveiro. No local, Mazzini foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu.

Bernal se apresentou espontaneamente à polícia e permaneceu preso desde então. Todos os pedidos de revogação da prisão preventiva foram negados pela Justiça, inclusive pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

O ex-prefeito foi pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado, com as qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além da causa de aumento de pena em razão da idade da vítima, superior a 60 anos. Ele também responderia por porte ilegal de arma de fogo. A prisão preventiva foi mantida até sua morte.

 

FONTE: MIDIAMAX