A educação política e os direitos da cidadania passaram a ser componentes curriculares obrigatórios na educação básica brasileira. Nesta terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Lei nº 15.468, que altera o artigo 26 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), de 1996. Com isso, os temas passam a integrar o estudo da realidade social e política previsto na legislação.

No entanto, a lei não detalha quais séries terão a obrigatoriedade de contar com os conteúdos, assim como também não define o perfil dos docentes que ministrarão a disciplina.

Em Campo Grande, pais, mães e professores se mostraram favoráveis à implementação da lei e acreditam que o ensino pode ajudar as crianças a entenderem mais sobre o assunto. O Jornal Midiamax foi às ruas da Capital nesta terça-feira (14) para conferir a opinião dos campo-grandenses sobre o tema.

Mãe de três filhos, Stefany Nantes, do lar, afirma que as crianças “são o futuro do Brasil” e que as disciplinas podem ajudá-las a ter um conhecimento maior. “Se for uma coisa que ajude eles a entender sobre o Brasil, sobre as coisas que estão acontecendo, [é positiva], sim. Para eles fazerem uma coisa diferente, eles são o futuro do Brasil. Então acho que seria legal”, opina.

Steffany explica que cresceu sem compreender muito sobre política e acredita que, com os ensinamentos de um profissional, as crianças podem entender mais sobre um assunto importante para a sociedade. “Eles vão entender de forma diferente, mas é um ensinamento melhor do que a gente teve. A gente colocou esse povo aí sem ter estudos, sem ter nada, sem entender de política. Eu mesmo tenho 30 anos e não entendo de política”, conta.“Se tiver um profissional que ajude a entender realmente o que é política, quais são os valores que a política traz para o nosso Brasil, seria bem interessante”, completa.

Ensino deve ser apartidário

Já o líder de campo Rodrigo Araújo ressalta que as disciplinas são importantes, mas que o ensino deve ser feito de forma apartidária e imparcial. “Se for pra ensinar sobre política no geral, beleza. Só não pode estar puxando para um lado só”, afirma.

Segundo Rodrigo, o conhecimento é necessário para eleger corretamente os candidatos e cobrá-los por melhoras e direitos previstos pela Constituição. “As pessoas deveriam ter um conhecimento político desde pequenas, pra participar da política. Porque você conhecendo a política, você consegue escolher bem seus governantes”, explica.

Para o líder de campo, a política brasileira atual precisa de uma mudança que pode ocorrer justamente a partir do ensino desde cedo. “Eu espero [que as crianças participem mais], porque hoje em dia a política precisa ser mudada, as pessoas novas precisam ter uma outra visão da política. Eu acho que aprender sobre a política desde pequeno seria ideal”, completa.

Conhecimento é alicerce

Já o professor de Educação Física Marcelo Miranda de Santos afirma que, no Brasil, as pessoas costumam se interessar pouco pela política. “A política que rege, que dá as leis, as normas da legislação pra acompanharmos tudo o que vem decorrente do meio social, porém as pessoas são pouco interessadas nessa parte.”

Ele conta que, antigamente, as escolas tinham uma disciplina chamada moral e civismo, em que eram ensinadas a política e as leis, sem que se entrasse diretamente em quem era o presidente da República, vereador ou deputado federal.

“Aprender as leis é fundamental para que o país tenha mais um alicerce formado para que as crianças, os adolescentes, os jovens possam ter desde cedo a possibilidade de ter o conhecimento político, assim como colocar um presidente da República, aquele que realmente tem a capacidade de reger o país, de comandar o país. Então, isso dá mais estrutura, tendo essa disciplina em sala de aula”, opina Marcelo.

Apesar de parecer, muitas vezes, um assunto ‘chato’, colocar a política como disciplina obrigatória pode ser um caminho, na avaliação do professor, para que os jovens aprendam sobre o tema. “Ela vai ter que aprender, porque essa é uma disciplina, e se ela não tiver nota compatível à média da escola, ela não vai passar. Então isso vai capacitar ela para que tenha o conhecimento realmente do que é a política brasileira”, completa.

 

FONTE: MIDIAMAX