O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) oficializou a tarifa de 25% aos produtos brasileiros na quarta-feira (15), mas com 2,1 mil itens na lista de isenção. Mais de 99% das exportações de Mato Grosso do Sul ao país norte-americano foram poupadas da nova taxa.
Entre janeiro e junho de 2026, o Estado exportou 437,3 mil toneladas aos Estados Unidos, com movimentação superior a US$ 370,5 milhões, o que equivale a R$ 1,8 bilhão, conforme a cotação do dólar nesta quinta-feira (16). Os dados são disponibilizados no Observatório da Indústria.
Carne bovina desossada e congelada corresponde a 51,4% das exportações aos Estados Unidos, seguida de ferro-gusa fundido bruto (20%), celulose (16%), carne bovina fresca ou refrigerada (5,42%), sebo bovino fundido (2,65%), carne bovina em salmoura ou defumada (1,67%) e filé de tilápia (1,1%). Todos esses produtos, que correspondem a 98% das exportações de MS ao país, estão livres da nova tarifa.
Apenas itens que representam menos de 0,1% das exportações aos Estados Unidos, como maiôs e biquínis de banho (0,03%) e ovos sem casca e secos (0,03%), serão taxados em 25% com essa nova decisão. O setor de vestuário brasileiro enviou pedidos de isenção ao governo de Donald Trump, mas a solicitação foi rejeitada.
Novo tarifaço
A decisão de impor o novo tarifaço de 25% é fruto da investigação do USTR, que acusou o governo brasileiro de “práticas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias de governos estrangeiros que oneram ou restringem o comércio dos EUA”. O etanol, o Pix e o desmatamento ilegal são algumas das motivações da taxa.
A maior parte dos produtos já estava isenta da cobrança quando a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos foi concluída, em junho, mas o governo americano ampliou as exclusões nesta quarta (15). O ferro-gusa de Mato Grosso do Sul entrou na lista de isenções só agora.
As exceções às tarifas foram aplicadas a produtos considerados importantes para a indústria americana, mas que têm pouca oferta no país. Assim, a taxa poderia causar impacto negativo à produção dos Estados Unidos.
Exportações de MS
Ainda conforme o Observatório da Indústria, painel publicado pela FIEMS (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial estrangeiro do Estado.
A China é a principal parceira, responsável pela compra de 1,8 milhão de toneladas, o que representa US$ 1,3 bilhão apenas nos primeiros seis meses deste ano.
Neste período, as exportações totais do Estado acumulam movimentação de US$ 3,83 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano passado, o valor era de US$ 3,78 bilhões. Ou seja, as exportações do primeiro semestre de 2026 superam o registrado em 2025.
As exportações aos Estados Unidos também subiram neste período, apesar dos imbróglios na política internacional entre os dois países. Entre janeiro e junho de 2025, o comércio internacional com o país norte-americano movimentou US$ 3,2 milhões, ante US$ 3,7 milhões no mesmo período deste ano.
FONTE: MIDIAMAX




