Um policial penal de 42 anos, investigado por tráfico de drogas dentro do presídio, foi preso preventivamente na quinta-feira (16), em Campo Grande. O agente, que recebe salário de R$ 9.906, passa por audiência de custódia nesta sexta-feira (17).
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, as investigações começaram em 28 de agosto do ano passado, no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira de Regime Semiaberto.
Na ocasião, policiais penais teriam se incomodado com o forte odor de entorpecente vindo do alojamento masculino. Assim, foram analisadas imagens de câmeras de segurança e as investigações identificaram o policial ingressando no local com uma mochila cheia de objetos. Ao deixar o local, ele carregava a mesma mochila, visivelmente vazia.
Dentro de um armário, foram encontrados 24 carregadores de celular, uma balança de precisão com resquícios de droga, 4,4 quilos de maconha e 1 quilo de cocaína. Entre os itens apreendidos, estava um caderno com anotações manuscritas de conteúdo suspeito.
As imagens de câmeras de segurança registraram o policial entrando no local com mochilas com capacidade compatível para transportar os produtos apreendidos.
Policial negou tráfico de drogas
As investigações observaram divergências entre os depoimentos do policial e os indícios de autoria. Isso porque ele negou os fatos e apresentou uma versão diferente dos relatos de testemunhas. O servidor também se recusou a fornecer o acesso aos dados armazenados em seu aparelho celular.
Com o avanço das investigações, a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) pediu a prisão preventiva do policial. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) se manifestou favorável aos pedidos e a Justiça decretou a prisão preventiva do servidor, além da busca e apreensão domiciliar e da quebra do sigilo telefônico e telemático.
Informações obtidas pela reportagem indicam que o policial estaria sendo investigado desde que atuava em Ponta Porã, porém, o mandado de prisão preventiva é referente somente ao flagrante de drogas na Capital. Após ser transferido para Campo Grande, o policial teria continuado a empreitada criminosa e foi encaminhado para outro setor.
O que diz a Agepen?
O Jornal Midiamax acionou a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e foi informado, em nota, que a prisão aconteceu após a conclusão de procedimentos investigativos conduzidos com rigor técnico. A agência ressaltou a atuação da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e afirmou que não compactua com condutas ilícitas.
Confira a nota na íntegra:
“A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informa que a prisão do policial penal ocorreu após a conclusão de procedimentos investigativos conduzidos com rigor técnico, que confirmaram, por meio de exames periciais, a vinculação da substância entorpecente apreendida ao servidor investigado.
O caso teve início a partir da atuação de policiais penais da própria unidade prisional, que identificaram a irregularidade, realizaram a apreensão do material e adotaram imediatamente todas as providências legais e administrativas cabíveis. A partir desse trabalho, foram instaurados os procedimentos competentes, culminando na produção das provas técnicas que subsidiaram a responsabilização criminal.
A atuação demonstra que a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul dispõe de mecanismos permanentes de fiscalização, controle interno e investigação, que operam de forma técnica, transparente e independente, assegurando a apuração rigorosa de qualquer indício de irregularidade, independentemente de quem seja o investigado.
A instituição não compactua com condutas ilícitas e adota tolerância zero em relação a práticas que contrariem a legislação e os princípios que regem o serviço público. Eventuais desvios de conduta são tratados com absoluto rigor, observando-se o devido processo legal e a responsabilização nas esferas administrativa e criminal, sempre que comprovados.
É importante destacar que condutas individuais não representam a atuação da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul, composta por profissionais que, diariamente, desempenham suas funções com responsabilidade, legalidade e compromisso com a segurança pública. A identificação da irregularidade, a adoção imediata das providências e a responsabilização do investigado demonstram a efetividade dos mecanismos de controle institucional e o compromisso permanente da Agepen com a integridade, a transparência e a proteção da sociedade.”
*Atualizada às 8h04 para acréscimo de posicionamento.
FONTE: MIDIAMAX




