O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) manteve a prisão de dois réus na Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado) que revelou esquema que desviou R$ 27 milhões de prefeituras no Estado.

Liminarmente (provisoriamente), ficou mantida a prisão de Ed Carlos Britto Burgatt, ex-chefe da regulação estadual de saúde que usava a estrutura pública para forçar prefeitos a comprarem livros da Editora Avante, controlada pelo clã Jafar e utilizada pelo grupo para fechar contratos fraudulentos com municípios.

Em conversa obtida pelo Gaeco, Ed Carlo diz a outro membro do grupo que iria ‘trancar tudo’ de uma prefeitura específica se ela não comprasse os livros. Para isso, o servidor recebia altos valores em propinas.

Membro do clã Jafar, Felipe era servidor comissionado na Agesul, mas foi exonerado após ser preso. Ele é réu por integrar liderança de organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro, corrupção, peculato e fraude em contratações públicas.

Entre as justificativas dos magistrados para mantê-lo preso estão a garantia da ordem pública, desarticulação do grupo criminoso e de risco atual na continuidade das fraudes.

Além disso, o TJ entendeu que bons antecedentes criminais não são suficientes e que medidas cautelares como a tornozeleira eletrônica também não resolvem para neutralizar as fraudes do grupo.

Clã Jafar: o cérebro do esquema

A primeira fase da Gutenberg, deflagrada no dia 7 de julho, revelou esquema comandado pelo clã Jafar, que usava o ex-chefe da regulação estadual de saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, para liberar ou trancar procedimentos de prefeituras para comprar os livros da Editora Avante.

As investigações concluíram que Rossana exercia forte poder de decisão na gestão financeira e administrativa da Editora Avante, determinando pessoalmente para onde e para quem o dinheiro recebido das prefeituras deveria ser repassado. Ela responde pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção ativa.

O grupo familiar atuava originalmente por meio da empresa Gráfica e Editora Alvorada Ltda., envolvida em fraudes licitatórias e alvo da Operação Lama Asfáltica. Após a morte do patriarca, Mirched Jafar Junior, em 2021, a matriarca Rossana Paroschi Jafar e seus filhos teriam criado uma nova empresa de fachada, a Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros), em nome de “laranjas”, como Rhayane Souza Fanaia.

A empresa fechava contratos milionários, sem licitação (por inexigibilidade), com diversos municípios de Mato Grosso do Sul, como Miranda, Ivinhema, Bonito, Ladário, Angélica e Dourados, para o fornecimento de livros paradidáticos.

A própria organização montava e enviava aos municípios os modelos de orçamento e as justificativas para direcionar a contratação dirfeta.

Os valores recebidos das prefeituras eram pulverizados imediatamente via saques em espécie — abaixo de R$ 50 mil, para burlar órgãos de controle/COE — e transferências para familiares, empresas parceiras, como postos de combustível, distribuidoras de bebidas e empresas de veículos, e agentes públicos cooptados.

O esquema contava ainda com a participação de empresários que recebiam valores no esquema de lavagem de dinheiro. Entre eles, estão Douglas Henrique de Melo e seu pai, Paulo Rogério de Melo, donos de garagens e casas noturnas em Campo Grande.

Confira a lista dos réus na Gutenberg:

  • Rossana Paroschi Jafar (presa) – dentista e dona de gráfica;
  • Olívia Paroschi Jafar (prisão domiciliar) – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
  • Felipe Paroschi Jafar (preso) – ex-comissionado na Agesul;
  • Giovanni Paroschi Jafar (preso) – empresário;
  • Rhayane Souza Fanaia (presa) – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
  • Ed Carlo Britto Burgatt (preso) – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
  • Jéssyca Duarte Burgatt (prisão domiciliar)– filha de Ed e dona da Capital Saúde (prisão domiciliar);
  • Joatan Gomes Peixoto (prisão domiciliar) – empresário;
  • Matheus Oliveira Peixoto (preso) – empresário;
  • Francisco Anízio dos Santos (preso) – empresário;
  • Douglas Henrique de Melo (preso )– empresário;
  • Paulo Rogério de Melo (preso) – empresário e pai de Douglas;
  • Gabriel Taquino de Paula (preso) – advogado;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos (preso) – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
  • Heyder Bartz (foragido) – empresário.
  • Inácio da Silva Espíndola (não foi preso) – ex-vereador e ex-servidor comissionado da Casa Civil de MS.

 

FONTE: MIDIAMAX