Um dia após a repercussão da festa de aniversário do PCC (Primeiro Comando da Capital), que teve origem em São Paulo, no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, a Agepen-MS (Agência de Administração do Sistema Penitenciário) se mantém calada sobre a comemoração, regada a drogas, com a presença de diversos custodiados da penitenciária nesta segunda-feira (31).
O vídeo mostra os criminosos em volta de uma mesa forrada por pinos de, aparentemente, cocaína, com fala dos criminosos agradecendo a participação de todos os envolvidos e comemorando os 33 anos do PCC, colocando a Máxima como a “maior sede dentro do MS”.
“Aniversário do comando, 33 anos. Mato Grosso do Sul, máxima em Campo Grande, maior sede do PCC dentro do estado do MS”, diz o criminoso, não identificado até o momento.
Apesar de dizer que medidas já estão sendo tomadas, até o momento a Agepen não demonstrou nenhuma ação efetiva contra os criminosos que fizeram parte ou organizaram a “festinha” e não informou se algum deles foi identificado. Além dos suspeitos, a Agência também não se manifestou sobre como a droga teria entrado na penitenciária nem como a festa se manteve, mesmo com a presença dos agentes de segurança do próprio local.
O último posicionamento encaminhado à imprensa pela Agepen foi na tarde desta segunda-feira (31), informando que os vídeos estão sendo analisados pelos setores competentes para adoção das medidas cabíveis e necessárias e identificação dos envolvidos.
“A Agepen mantém ações permanentes para coibir a entrada e o uso de celulares, drogas e outros ilícitos nas unidades prisionais, com utilização de scanner corporal nas revistas, vistorias constantes nas celas, operações pente-fino, monitoramento e interceptação de drones para impedir arremessos, além do reforço do telamento das unidades para dificultar o arremesso de materiais“, diz nota.
Questionada pelo Jornal Midiamax na manhã desta terça-feira (1º), a assessoria de comunicação da Agepen disse manter o mesmo posicionamento e que outras informações sobre a identificação dos envolvidos e sobre as drogas são de competência do serviço de inteligência e não podem ser repassadas.
Aniversário do PCC
O PCC ‘nasceu’ em 31 de agosto de 1993. E a comemoração dentro do presídio não é fato novo. Em 2016, o Midiamax deu a mesma notícia, quando imagens dos presos comemorando o aniversário da facção também chegaram ao jornal.
Na época, as fotos eram de Alexandrinho, o Alexandre Barreto de Castro. Ele estava preso por matar o policial militar Rony Maickon Varoni de Moura da Silva. Anos depois, já em liberdade, Alexandrinho morreu em confronto com a Polícia Militar, em 2022.
Oito detentos teriam criado a facção durante uma partida de futebol na quadra do Piranhão, conhecida por receber condenados que cometeram crimes de grande repercussão. Transferidos da capital de São Paulo para lá como castigo por mau comportamento, eles resolveram batizar o time deles como Comando da Capital.
Ainda no início da facção, o time de criminosos dizia que ela havia sido criada para “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista”. Também “para vingar a morte dos 111 presos”, em 2 de outubro de 1992. Naquele dia, ocorreu o episódio que ficou conhecido como “massacre do Carandiru”, quando homens da PM mataram presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo.
FONTE: MIDIAMAX




