O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negou pedido de habeas corpus e manteve a prisão preventiva de Rossana Paroschi Jafar, apontada como líder de esquema que desviou mais de R$ 27 milhões em livros escolares de prefeituras do Estado. A Justiça também manteve a prisão do filho de Rossana, Giovanni Paroschi Jafar.

Tudo foi apurado na Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que apontou um esquema comandado pela família Jafar e que contava com o ex-chefe de regulação da saúde estadual, Ed Carlo Brito Burgat, para pressionar prefeitos a comprar livros das editoras do grupo mediante liberação de exames para a população.

A defesa de Rossana recorreu ao Tribunal buscando a revogação da prisão ou a substituição do regime por medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica, alegando ausência de fundamentação e falta de contemporaneidade dos fatos. No entanto, o relator do caso, desembargador Waldir Marques, rejeitou os argumentos e manteve a custódia cautelar para garantir a ordem pública.

As investigações revelaram que o grupo atuava com alto grau de sofisticação e articulação política.

Então, para manter a prisão da matriarca do clã Jafar, o TJMS considerou fatores como o papel de liderança no esquema, a gravidade e o impacto financeiro das acusações, além de que a prisão é necessária para conter as atividades criminosas.

Clã Jafar: o cérebro do esquema

A primeira fase da Gutenberg, deflagrada no dia 7 de julho, revelou esquema comandado pelo clã Jafar, que usava o ex-chefe da regulação estadual de saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, para liberar ou trancar procedimentos de prefeituras para comprar os livros da Editora Avante.

As investigações concluíram que Rossana exercia forte poder de decisão na gestão financeira e administrativa da Editora Avante, determinando pessoalmente para onde e para quem o dinheiro recebido das prefeituras deveria ser repassado. Ela responde pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção ativa.

O grupo familiar atuava originalmente por meio da empresa Gráfica e Editora Alvorada Ltda., envolvida em fraudes licitatórias e alvo da Operação Lama Asfáltica. Após a morte do patriarca, Mirched Jafar Junior, em 2021, a matriarca Rossana Paroschi Jafar e seus filhos teriam criado uma nova empresa de fachada, a Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros), em nome de “laranjas”, como Rhayane Souza Fanaia.

A empresa fechava contratos milionários, sem licitação (por inexigibilidade), com diversos municípios de Mato Grosso do Sul, como Miranda, Ivinhema, Bonito, Ladário, Angélica e Dourados, para o fornecimento de livros paradidáticos.

A própria organização montava e enviava aos municípios os modelos de orçamento e as justificativas para direcionar a contratação direta.

Os valores recebidos das prefeituras eram pulverizados imediatamente via saques em espécie — abaixo de R$ 50 mil, para burlar órgãos de controle/COE — e transferências para familiares, empresas parceiras, como postos de combustível, distribuidoras de bebidas e empresas de veículos, e agentes públicos cooptados.

O esquema contava ainda com a participação de empresários que recebiam valores no esquema de lavagem de dinheiro. Entre eles, estão Douglas Henrique de Melo e seu pai, Paulo Rogério de Melo, donos de garagens e casas noturnas em Campo Grande.

 

FONTE: MIDIAMAX