A bancada feminina ficou menor na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) a partir das eleições deste ano.
Encerrando a atual legislatura com três cadeiras ocupadas por mulheres, a partir de 2027 o parlamento estadual contará com apenas duas deputadas entre os 24 eleitos. Deixam a Alems as deputadas Lia Nogueira (PSDB), que saiu derrotada nas urnas, e Mara Caseiro (PL), eleita à Câmara dos Deputados em Brasília.
O resultado é um contraste ao eleitorado sul-mato-grossense, composto por 52,8% de mulheres contra 47,1% de homens, uma diferença de mais de 113.876 votos.
O resultado das urnas no último domingo (4) abriu precedente atípico para a representatividade da Casa de Leis. Na história da Casa Legislativa, apenas 11 mulheres ocuparam cadeira entre os homens. Elas nunca estiveram em lados tão opostos como o cenário que se aproxima.
Saíram eleitas as douradenses Gleice Jane (PT) e Gianni Nogueira (PL), figuras que representam o retrato da polarização política do país, defendendo raríssimas pautas em comum. O Jornal Midiamax as ouviu para entender como serão os próximos anos da bancada feminina.
Tanto Gleice, aliada de Lula, quanto Gianni, nome da agenda bolsonarista, reconhecem a previsão de oposição entre as duas únicas mulheres do parlamento.
“Tenho a impressão de que eu fico sozinha nesse projeto de luta das mulheres. A Lia era uma grande parceira e, embora esteja num partido de direita, é uma mulher que está em contato direto com a luta das mulheres. Eu não vejo isso na Gianni. Pelo contrário, esse projeto da extrema-direita é um projeto antimulheres, antifeminismo”, disse a petista, que surpreendeu ao obter 29.844 votos neste pleito, um aumento de mais de 200% dos 9.767 votos alcançados em 2022.
Gianni, por sua vez, fez questão de ressaltar a divergência entre elas. “Pode ser que em momentos a gente não consiga [convergir], que realmente seja muito difícil de estar ombreando. Na questão feminina, existe um aspecto muito diferente na forma como a esquerda aborda e na forma como a direita aborda. Mas eu não gosto de me posicionar dessa forma”, disse.
Únicas mulheres eleitas à Alems não fizeram contato após resultado das urnas
Eleitas no domingo e saindo do mesmo reduto eleitoral, quase uma semana depois do resultado das urnas, ambas reconheceram à reportagem não terem feito qualquer contato para cumprimentos.
Gleice Jane admite não conhecer a adversária bolsonarista. A deputada se diz preocupada em ter “uma mulher contra as mulheres aqui na Assembleia Legislativa”.
“Espero que a Gianni, pelo menos na pauta feminina, possa avançar, mas em outras pautas não tenho dúvida de que vamos trabalhar muito na contramão uma da outra. Justamente por ela estar muito aliada a um projeto de extrema-direita. E a extrema-direita não tem projeto para mulheres”, acrescentou.
Ao Jornal Midiamax, Gianni Nogueira, que hoje ocupa o cargo de vice-prefeita em Dourados, pediu cautela durante a entrevista. Ela se mostrou preocupada com a citação do termo ‘caminhar juntas’, ao ser questionada sobre a possibilidade de convergência com a aliada de Lula.
“Eu não acredito que a gente vá caminhar juntas, não acredito. Acho que é muito perigoso cravar isso. Eu gostaria de deixar claro que eu não vou caminhar em gênero, tá? Com ‘bancada de gênero’. Eu vou caminhar com bancada ideológica e com bancada de projetos”, disse.
Quem foram as mulheres que ocuparam cadeira na Alems
Em 47 anos de história da Alems, 11 mulheres diferentes ocuparam o cargo de deputada estadual. São elas:
- Marilene Coimbra (eleita em 1986 e 1990);
- Marilu Guimarães (eleita em 1986);
- Celina Martins Jallad (eleita em 1994, 1998, 2002 e 2006);
- Simone Tebet (eleita em 2002);
- Bela Ramos (eleita em 2002);
- Dione Hashioka (eleita em 2006, 2010 e por suplência em 2018);
- Mara Caseiro (eleita em 2010, 2014, 2018 e na atual legislatura);
- Antonieta Amorim (eleita em 2014);
- Grazielle Machado (eleita em 2014);
- Lia Nogueira (eleita na atual legislatura);
- Gleice Jane (assumiu por suplência na atual legislatura).
FONTE: MIDIAMAX




