Com fama de eleger simpatizantes da extrema-direita, o RenovaBR aqui no Estado formou os vereadores Camila Jara (PT) e Ronilço Guerreiro (Podemos). Agora, o programa lança três pré-candidatas a deputada estadual em MS, cada uma delas com legendas e bandeiras diferentes.
Nestas eleições, o programa, idealizado por Eduardo Mufarej e apoiado financeiramente por personalidades como o bilionário Jorge Paulo Lemann, terá como pré-candidatas a deputada estadual em Mato Grosso do Sul Raissa Lopes (Podemos), Tarsilla Franccesca (PSDB) e Professora Eugênia Portela (PT).
Camila Jara deve ser candidata a deputada federal, e Ronilço também pode ser candidato por seu partido.
O programa tem buscado a renovação política, independentemente da sigla. Na capital sul-mato-grossense, Camila Jara se elegeu como única mulher vereadora da Câmara Municipal de Campo Grande e, neste ano, concorre a deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores. Na Câmara, sempre votou com a esquerda e repudiou os atos do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
Ronilço Guerreiro, também eleito vereador em 2020, está constantemente na luta pela cultura e tem projetos de incentivo à leitura que foram colocados em prática na Cidade Morena. Em Ponta Porã, a vereadora Ângela Derzi (PSDB) também foi aluna do RenovaBR.
Nas eleições gerais de 2018, 17 alunos formados no RenovaBR assumiram cargos no Congresso Nacional e em Assembleias Legislativas. São eles: um senador, nove deputados federais e sete deputados estaduais.
No último pleito, realizado em 2020, foram eleitos 147 para cargos municipais, todos se formaram no curso e a maioria em partidos ditos liberais. Foram 10 prefeitos e 136 vereadores, em 122 municípios e 20 estados. Joinville (SC), Uberaba (MG) e Capitólio (MG) são locais onde líderes do Executivo foram eleitos.
O programa também foi responsável por formar a deputada federal Tabata Amaral, que foi lançada pelo PDT e a sexta candidata mais votada em São Paulo. Atualmente a parlamentar mudou de partido e está no PSB.
Pré-candidatas
Para as eleições deste ano, três pré-candidatas a deputada estadual vieram do RenovaBR e têm grandes expectativas de ingressar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), são elas: Raissa Lopes, Tarsilla Franccesca e Professora Eugênia Portela.
Em entrevista ao Correio do Estado, as pré-candidatas contaram as trajetórias que as levaram ao meio político e também falaram sobre as pretensões ao concorrerem ao cargo.
Uma das pré-candidatas mais jovens do País, Raissa Lopes, de 20 anos, diz que só poderá ser candidata por causa de uma brecha de dois meses entre seu aniversário e a data de posse em 2023, caso seja eleita. A legislação assevera que a idade mínima para ser deputado é de 21 anos. A pré-candidata completa 21 anos em dezembro.
“O meu ativismo começou em 2018, quanto eu ainda tinha 16 anos de idade, ainda no 2º ano do Ensino Médio, quando com meus colegas de turma comecei a debater sobre as mudanças necessárias para o Brasil, começando aqui no nosso quintal, no nosso Estado, na nossa cidade. Em 2019, conheci muita gente indignada com a atual política, assim como eu, porém, essas pessoas enxergaram em mim um perfil de liderança e começaram a me incentivar a ter uma participação mais ativa. Então, no ano de 2020, fui a candidata a vereadora mais jovem da história de Campo Grande e trouxe comigo a defesa das pautas da liberdade, da juventude e da renovação”, contou Raissa.
Na ocasião, a então candidata a vereadora foi líder de votos do Novo (legenda à qual era filiada na época) e obteve 732 votos, porém, não foi eleita por não ter alcançado o coeficiente partidário.
Tucana
Concorrendo a um cargo político pela primeira vez, a pós-graduada em Direito Constitucional Tarsilla Franccesca é filiada ao PSDB desde 2008, onde já exerceu as funções de secretária de Relações Sociais no Secretariado Estadual da Juventude, presidente do Tribunal de Ética do diretório municipal e tesoureira da Juventude do diretório de Campo Grande. Atualmente, atua como coordenadora jurídica do Secretariado Estadual do PSDB Mulher.
Recentemente, a pré-candidata foi agraciada como a primeira mulher da história do partido a ser presidente de honra da Juventude.
Franccesca conta que sempre participou de ações sociais e, com a militância em campanhas, conheceu o então suplente Dr. Lívio, que a convidou para assessorá-lo na Câmara Municipal de Campo Grande.
“Foi meu primeiro emprego, onde permaneci até 2020, e foi uma experiência enriquecedora, porque fiz questão de aprender em todas as áreas do gabinete com toda dedicação e apreço, como forma de gratidão à oportunidade recebida”, disse Tarsilla.
A tucana conta que em 2021 viu uma postagem em que a deputada federal Tabata Amaral anunciava as inscrições para o RenovaBR, o que despertou nela a vontade de fazer o curso.
“Eu realmente fui muito feliz nos bastidores do partido, o que me trouxe o amadurecimento para o que vivo nos dias de hoje, mas me dei conta que estava na hora de ir para a linha de frente para conseguir transformar as coisas”, explicou.
A pré-candidata falou ainda sobre o machismo que sofre no meio político por ser mulher e disse ter sofrido muito com isso.
“Sofri com as tentativas de me descredenciar perante minha competência ao colocarem em dúvida o motivo de eu ser assessora, ao comentarem sobre minhas roupas e minha idade. Por um tempo isso afetou meu psicológico”. Atualmente, Tarsilla é membro da ONG Mundial WDN, que promove o empoderamento das mulheres na política.
Professora
Doutora em Educação e docente da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Professora Eugênia Portela, 57 anos, avó de três netos, concorre a cargo político pela segunda vez. No ano de 2020, foi candidata a vereadora pelo PT, quando obteve 1.127 votos, tornando-se uma das mulheres mais bem votadas do partido e da votação geral das candidaturas, em uma disputa com mais de 800 candidatos.
Eugênia fala sobre a questão da representatividade, que dá espaço e garante que as cotas destinadas às mulheres não fiquem apenas no papel, mas que se tornem realidade nos Poderes.
“Faz-se necessário que as mulheres ocupem os espaços nos partidos políticos e possam disputar os recursos do fundo eleitoral e partidário. Afinal, as eleitoras mulheres no Brasil correspondem a 53% das pessoas que estão aptas a votar, porém, continuam sub-representadas, tanto no Legislativo municipal quanto no estadual e federal. A ausência da mulher na política precisa ser constantemente debatida, pois apenas assim conseguiremos vencer o patriarcado que nos foi imposto e nos colocou a ideia de que a política não foi feita para mulheres”.
A petista participou de vários cursos, entre eles, um da fundação do PT, outro para mulheres no Solidariedade e, recentemente, formou-se pelo RenovaBR.
“Todos os cursos possibilitam a formação política para que futuras e futuros candidatos possam estar mais preparados. É preciso estudar, compreender o que é partido político, o que é democracia, o que é financiamento de campanha, o que pode e o que não pode na pré-campanha, as questões de fundo eleitoral e partidário, emendas parlamentares, projetos de leis, tudo o que engloba esse universo. Essas coisas geralmente são ensinadas na prática, quando a pessoa já está lá dentro”.
Sobre a polarização PT x Bolsonaro, Eugênia acredita que isso mostra a realidade brasileira. “Ao meu ver, o grande problema é o desrespeito, a ameaça à democracia, à Constituição Federal, às instituições democráticas, como estamos acompanhando, infelizmente, por alguns setores influenciados pelo atual mandatário do País. A democracia precisa ser fortalecida”, afirmou.
RenovaBR
Envolvido em discussões desde sua fundação, o curso tem como líder o empresário Eduardo Mufarej, ex-CEO da Tarpon Investimentos, e conselho composto pelo apresentador global Luciano Huck, pelo ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, pelo presidente do Banco VR, Cláudio Szajman, entre outros nomes.
Entre os formandos deste ano, estão o ex-ministro da Educação Rossieli Rodrigues, o ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde Carlos Lula e o ex-jornalista da TV Globo Marcos Uchôa.
Pesquisa
O diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria, Felipe Nunes, apresentou o levantamento “Democracia e Qualidade da Representação Política no Brasil”, que mostrou que a maioria dos brasileiros está insatisfeita com o trabalho dos deputados e dos senadores, defende uma alta renovação no Congresso, não se lembra em quais parlamentares votou nas últimas eleições e só deve decidir seus candidatos na véspera do pleito. O levantamento foi encomendado pelo RenovaBR.
De acordo com a pesquisa, 66% dos entrevistados desaprovam o trabalho dos deputados, 63% desaprovam o trabalho dos senadores e 86% dos brasileiros consideram que seria bom que o Congresso tivesse uma grande mudança neste ano.
Os dados chamam atenção, pois, na eleição de 2018, a Câmara dos Deputados teve a maior renovação desde a redemocratização: de um total de 243 deputados, 47,37% assumiram o primeiro mandato na casa em 2019.
Por outro lado, o levantamento também mostrou que 66% dos brasileiros não se lembram em quem votaram para deputado federal no último pleito, e 85% ainda não sabem em quem vão votar.
FONTE: CORREIO DO ESTADO




