“Primeiro, há um rearranjo da cadeia global, uma vez que já temos mais de ano da guerra da Ucrânia, outrora responsável por uma disparada nos preços do combustível, e em um segundo momento pode haver controle inflacionário”, pontua.
O economista Marcio Coutinho corrobora e evidencia que o preço de qualquer produto é composto por gastos de fabricação, impostos e lucro, formando o preço de venda. Sendo assim, ele destaca que a queda do preço é justificável pela redução em algum desses elementos.
“No caso específico do diesel, desde o governo passado e também no atual, existe uma redução em alguns impostos federais e isso faz com que a tendência do preço seja de queda, porque a partir do momento em que você tem uma diminuição esse será o resultado”.
Coutinho ainda frisa que o valor do barril do petróleo caiu aproximadamente 37% no mesmo período.
“Então a gente percebe que um dos componentes foi a matéria-prima, lembrando ainda que até alguns meses atrás a Petrobras adotava a paridade internacional, fazendo com que o produto ficasse mais barato ainda”.
Fechando sua análise, o economista aponta como positivo o impacto no Estado, principalmente para o agronegócio, atividade pujante em MS e utiliza muitas máquinas abastecidas a diesel. “Tratores, colheitadeiras e implementos que terão um custo menor para o produtor”, finaliza.
SETOR
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou a tabela dos valores dos pisos mínimos do frete do transporte rodoviário de cargas mais de cinco vezes em 2023. Em todas elas foram registradas reduções nos preços, e o último variou em queda de 2% a 3% anunciada no mês passado.
Em nota, a agência informou que, pela legislação, é necessário reajustar a tabela do frete a cada seis meses ou quando a variação do preço do diesel for igual ou superior a 5% (para cima e para baixo). “Embora sinalize uma redução no valor do frete, o reajuste do piso não necessariamente trará uma economia perceptível aos consumidores”, detalhou em nota.
O diretor do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog-MS), Dorival de Oliveira, comenta que houve impacto sobre valor do frete em Mato Grosso do Sul.
“Cerca de 20% a 25% mais barato do que quando estava no patamar de R$ 5,50. O mercado vai se regulando e, consequentemente, a ANTT também já mudou a tabela dos transportes”.
No entanto, o representante detalha que, apesar de toda a redução do diesel, o combustível representa 50% dos custos para o setor de transporte, e existem ainda gastos com peças, manutenção e mão de obra, fazendo com que o reflexo seja apenas parcial para o segmento.
“Essa queda não chegou totalmente para o transportador. Foi algo em torno de R$ 1 por litro no período”, diz.
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros em Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), Osni Belinati, relata que a diminuição do diesel vem dando um alento à classe. Contudo, salienta que há outros pontos a serem considerandos.
“Houve aumento no custo geral de um caminhão, como pneu, mão de obra nas oficinas, custo com tacógrafos, documentos, e assim vai. O governo coloca de um lado e tira dos outros”.
Oliveira ainda complementa que muitas adequações devem ser feitas para que o setor possa se equilibrar minimamente. “O que falta é uma política de Estado, e não de governo, porque quando o setor começa a se estabelecer vem um novo governo e cria novas regras. Temos muitas empresas fechando e frotas sucateadas, já que atualmente é impossível fazer renovação de frota por conta das altas taxas de juros”, finaliza.
PREÇOS
Em um retrospecto, de junho do ano passado até junho de 2023, o maior preço para o óleo diesel comum foi identificado no mês de julho, momento em que o litro chegou a custar R$ 7,30, e na versão S10 foi a R$ 7,49.
Ao fazer um comparativo com preço mais elevado (R$ 7,30 em julho de 2022) e o menor (R$ 5,07 mês passado), o decréscimo se acentua ainda mais, ficando em 30,54%, ou seja, o consumidor economizou R$ 2,23 na hora de abastecer com óleo diesel comum.
Ainda de acordo com os dados da ANP, no mesmo período de julho do ano passado a junho de 2023, o diesel S10 apresentou queda de 31,24%, ou R$ 2,34 por litro, saindo de R$ 7,49 para R$ 5,15. (Colaborou Súzan Benites)