A defesa de João Augusto Borges de Almeida recorreu da decisão que determinou que o réu vá a júri popular, em Campo Grande. João é réu pelo feminicídio da esposa, Vanessa Eugênia Medeiros, e de sua filha, Sophie Eugênia Borges, de apenas 10 meses — mortas carbonizadas em maio deste ano no bairro São Conrado.

O réu foi pronunciado no dia 14 de novembro pelo feminicídio praticado contra a vítima Vanessa, no âmbito da violência doméstica, com aumento de pena pelo fato de ser mãe, na presença de parente e outras circunstâncias agravantes.

O magistrado também determinou o júri popular pelo feminicídio que vitimou Sophie — este no contexto de violência doméstica, com aumento de pena por ser contra mulher vulnerável, praticado ainda com meios especialmente cruéis ou traiçoeiros, e ocultação de cadáver.

Na última sexta-feira (5), a defesa de João apresentou recurso pedindo a nulidade parcial da decisão de pronúncia, alegando que não houve fundamentação individualizada na sentença e pedindo que sejam retiradas as qualificadoras.

Também, a defesa solicitou que o crime de ocultação de cadáver deve ser considerado como crime único, dentro do feminicídio. O recurso ainda não foi analisado pelo Poder Judiciário.

Em audiência, feminicida alegou surto

Em agosto, João foi ouvido durante a primeira audiência de instrução e julgamento do caso. Ao magistrado, ele disse estar arrependido e alegou que estaria em um suposto surto naquele 26 de maio.

Durante o primeiro depoimento prestado ao delegado Rodolfo Daltro, titular da DHPP (Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa), João disse que não pagaria pensão para duas mulheres. Contudo, na audiência, ele negou que o crime tenha sido motivado por isso.

Mesmo orientado pela defesa a não falar, João disse que matou a esposa e a filha, durante um momento de surto. Isso porque ele teria ido ao supermercado comprar alguns itens, mas diante da falta de algumas coisas, o casal teve uma discussão e Vanessa teria dado um tapa em seu rosto.

Foi nesse momento que ele revelou que entrou em uma espécie de surto — mesmo não tendo nenhum problema psiquiátrico constatado. Diante da situação, matou primeiro a esposa e posteriormente a filha. Já em relação à carbonização dos corpos, confessou que foi para ‘se livrar’.

‘Eu odiava a Sophie’, disse o pai

O depoimento de João foi prestado ao delegado Rodolfo Daltro, titular da DHPP. João falou sobre o começo do relacionamento entre ele e Vanessa, quando se conheceram em um aplicativo de relacionamento e passaram a morar juntos com dois meses de namoro.

Quando questionado sobre como era o relacionamento, João disse que era conturbado, que havia muitas brigas, discussões, que era ciumento e Vanessa não aceitava os pedidos de mudança de comportamento.

Quando Vanessa ficou grávida, João disse ter aceitado a gravidez, mas, depois que Sophie nasceu, ele revelou que passou a ter raiva da filha. Disse ter ódio quando a bebê completou dois meses. “Se eu não tivesse matado ela [Sophie], eu teria doado”.

Apesar de não estar sob efeito de nenhuma droga, João não demonstrou remorso algum pelos crimes. Ele ainda falou que Vanessa queria se separar logo após que a bebê nasceu, mas ele não aceitava o fim, já que temia que a pensão a ser paga pudesse ter um valor muito alto.

“Ela [Vanessa] disse que ia embora com a pequena e que ia fazer a Sophie me odiar e que, se alguma coisa acontecesse com ela, a bebê ficaria com minha cunhada”, disse João.

Lista de feminicídios em MS em 2025

  • Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro;
  • Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro;
  • Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro;
  • Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro;
  • Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro;
  • Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março;
  • Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março;
  • Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 abril;
  • Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio;
  • Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio;
  • Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio;
  • Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio;
  • Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
  • Sophie Eugenia Borges, filha de Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
  • Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho;
  • Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho;
  • Rose (Costa Rica) – 27 de junho;
  • Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho;
  • Juliete Vieira – (Naviraí) – 25 de julho;
  • Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho;
  • Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto;
  • Dahiana Ferreira Bobadilla (Assassinada no Paraguai, mas encontrada em Bela Vista) — 8 de agosto;
  • Érica Regina Mota (Bataguassu) – 27 de agosto;
  • Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul) – 3 de setembro;
  • Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) – 8 de setembro;
  • Ana Taniely Gonzaga de Lima – 13 de setembro;
  • Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande) – 2 de outubro;
  • Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba) – 10 de outubro;
  • Andrea Ferreira (Bandeirantes) – 12 de outubro;
  • Solene Aparecida Corrêa (Três Lagoas) – 21 de outubro;
  • Luana Cristina Ferreira Alves (Campo Grande) – 28 de outubro;
  • Aline Silva (Jardim) – 4 de novembro;
  • Mara Aparecida do Nascimento Gonçalves (Aparecida do Taboado) – 4 de novembro;
  • Rosimeire Vieira de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
  • Irailde Vieira Flores de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
  • Gabrielli Oliveira dos Santos (Sonora) – 18 de novembro;
  • Alliene Nunes Barbosa (Dourados) – 24 de novembro;
  • Angela Nayhara Guimarães (Campo Grande) – 8 de dezembro.

📍 Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aquiElas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

 

FONTE: MIDIAMAX