A primeira frente fria do ano teve início no último sábado (9), mas Campo Grande deve sofrer com mudanças bruscas na temperatura nos próximos dias. O cenário, já esperado entre os meses de abril e junho, favorece a circulação de vírus respiratórios impactando diretamente a saúde de crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
Durante este período, a principal preocupação é em relação ao tempo seco e às transições climáticas, expondo a população a períodos de frio intenso e, depois, ao calor. Conforme a Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), a mudança brusca entre frio e calor estressa a mucosa respiratória, reduz a eficiência das suas defesas naturais e potencializa a ação de vírus, alérgenos e poluentes.
A médica e presidente da Asbai, Fátima Rodrigues Fernandes, explica que, ao inspirar o ar frio e seco, o muco resseca e diminui o batimento ciliar, responsável por varrer partículas e microrganismos.
Essa combinação fragiliza a barreira das vias aéreas. Pessoas com asma, por exemplo, podem desencadear broncoespasmo e, para quem tem rinite, o quadro pode piorar sintomas nasais.
Devido aos motivos listados, as pessoas adoecem com maior frequência durante o outono e o inverno. “Além disso, alguns vírus respiratórios, como o rinovírus, replicam-se com mais facilidade em temperaturas nasais mais baixas, situação comum em amanheceres frios”, completa a especialista.
Principais vírus em circulação
Conforme a superintendente de vigilância em saúde da Sesau, Veruska Lahdo, os principais vírus circulando na cidade são: o rinovírus; a influenza; e o VSR (vírus sincicial respiratório), responsável pelos casos de bronquiolite. O que determina se um caso será grave ou não pode variar, e a superintendente explica que a intensidade depende do quadro clínico de cada paciente.
As crianças são as principais afetadas, e os perfis que requerem maior atenção, pelo risco de desenvolver sintomas mais agressivos das doenças respiratórias, são: crianças com baixo peso, com comorbidades ou doenças de base, como asma, por exemplo.
“Nesses casos, realmente, acaba sendo um pouco mais preocupante, porque a criança pode desenvolver bronquiolite, pneumonia, e precisar, muitas vezes, de suporte ventilatório, até mesmo internação”, alerta.
Cuidados nas escolas
A superintendente de vigilância em saúde da Sesau, Veruska Lahdo, aponta que o ambiente escolar, geralmente, é um espaço de alta circulação de vírus respiratórios. Isso ocorre, pois dezenas de alunos frequentam o mesmo espaço, e as salas possuem a característica de serem áreas fechadas.
Lahdo destaca, ainda, que existe a possibilidade de a criança contrair o vírus na escola e, posteriormente, contagiar o ambiente familiar. “Isso acaba aumentando esse ciclo de transmissão. E, além dos vírus respiratórios, tem também circulação de outras doenças nesse período do ano.”
As escolas da rede municipal de Campo Grande contam com medidas de prevenção às doenças respiratórias, principalmente durante os períodos de queda de temperatura.
Segundo a Semed (Secretaria Municipal de Educação), é realizada a manutenção dos ambientes ventilados, orientações sobre higiene das mãos e etiqueta respiratória, além do acompanhamento dos sintomas apresentados pelos alunos. Quando necessário, os responsáveis são notificados.
Como se proteger e evitar doenças respiratórias:
- Proteja o trato respiratório nas horas mais frias. Uso de máscaras faciais e cachecóis é importante, e não respirar pela boca também ajuda.
- Mantenha a hidratação ingerindo água e faça higiene nasal com soro fisiológico de 1 a 2 vezes por dia.
- Evite exercícios intensos ao ar livre nas horas mais frias/secas.
- Mantenha distância de fumaça, incenso e sprays irritantes.
- Faça manejo adequado do ambiente interno, ventilando o ambiente e mantendo umidade moderada, além de manter a limpeza dos sistemas de ventilação e ambientes, sem deixar acúmulo de poeira.
- Pacientes com asma e rinite devem fazer o uso correto de medicações de controle, conforme prescrição médica.
- Em caso de sinais de alarme, como falta de ar em repouso, chiado persistente, febre alta, dor torácica ou queda importante do pico de fluxo, a pessoa deve procurar atendimento médico imediato.
Onde buscar atendimento
De acordo com a Vigilância em Saúde, os principais sintomas da síndrome gripal são: febre; tosse; dor de garganta; e mal-estar. Já a SRAG (síndrome respiratória aguda grave) vem acompanhada de falta de ar, aperto no peito e baixa oxigenação.
A orientação é procurar a UFS (Unidade de Saúde da Família) em casos leves, como coriza, febre baixa, dor de garganta. Já a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) deve ser buscada em situações mais graves, que incluem falta de ar, dor no peito, febre persistente, lábios arroxeados ou confusão mental.
Quem pode se vacinar gratuitamente em MS
Em Mato Grosso do Sul, a vacinação segue restrita aos seguintes grupos prioritários:
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos;
- Idosos;
- Gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto);
- Profissionais da saúde;
- Trabalhadores da educação;
- Forças de segurança e salvamento;
- Indígenas e quilombolas;
- Pessoas com comorbidades;
- Caminhoneiros;
- Trabalhadores do transporte coletivo;
- Trabalhadores dos Correios.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS em 2026 é a trivalente, produzida pelo Instituto Butantan. Ela protege contra três cepas do vírus influenza: influenza A (H1N1), influenza A (H3N2) e influenza B.
MS enfrenta tempo seco e baixa umidade do ar
A semana começou marcada pela chegada da 1ª frente do ano em Mato Grosso do Sul, mas este cenário começará a mudar a partir desta quarta-feira (13). Ao longo dos próximos dias, as temperaturas devem entrar em elevação gradativa, com máximas podendo atingir valores entre 25°C e 30°C.
Isso ocorre devido à presença de ar seco e ao predomínio do sol, conforme boletim do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima).
A previsão indica tempo firme, e, embora haja variação de nebulosidade, o sol deve predominar. As manhãs, no entanto, seguem com temperaturas baixas, com mínimas próximas de 3-4°C, especialmente na região centro-sul do Estado. Além disso, esperam-se baixos valores de umidade relativa do ar, ficando entre 20% e 40%.
A partir de quarta-feira (13), o frio começa a perder força no Estado, com a temperatura máxima podendo chegar a 30ºC nas regiões do bolsão, norte e leste de Mato Grosso do Sul, conforme o Cemtec.




