A comissão da Câmara de Vereadores para fiscalizar a intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus deve se reunir com a junta interventora no início de julho. A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), decidiu, na última terça-feira (16), pela intervenção no contrato bilionário de concessão do transporte coletivo da Capital pelo prazo de 180 dias.
De acordo com o vereador e presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Consórcio Guaicurus, dr. Lívio (União), o grupo pretende se reunir com a junta interventora nas próximas semanas. O parlamentar explicou que conheceu ontem o interventor-geral, Aléxandro Adriano Lisandro de Oliveira, e deve dar um tempo para o grupo se inteirar sobre o contrato.
“Pretendo dar um tempo pra ele conhecer minimamente os dados do Consórcio e depois agendarei. Talvez em 15-20 dias”, explicou.
A comissão liderada pela PGM (Procuradoria-Geral do Município) já havia orientado pela medida, que também foi recomendada como uma alternativa no relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Consórcio Guaicurus, realizada pela Câmara Municipal, em 2025.
O presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), logo após a publicação da intervenção, afirmou que a Casa de Leis irá fiscalizar a intervenção por meio da Comissão de Transporte e Trânsito e dos membros da CPI do Consórcio Guaicurus.
A CPI foi presidida pelo vereador dr. Lívio Leite (União), com relatoria da vereadora Ana Portela (PL), e entre os membros os vereadores Luiza Ribeiro (PT), Maicon Nogueira (PP) e Júnior Coringa (MDB).
Alguns membros da CPI também compõem a comissão de transporte, como dr. Lívio (presidente) e Ana Portela (membro). O grupo ainda conta com Silvio Pitu (PSDB) como vice-presidente, e os membros Herculano Borges (Republicanos) e Beto Avelar (PP).
Comissão apontou falhas graves do Consórcio Guaicurus
Relatório prévio elaborado pela Agetran e Agereg havia concluído que a situação é caótica e exige medidas por parte do município: “O cenário apresentado evidencia a existência de fatores que, em conjunto, comprometem a adequada execução contratual, cabendo ao poder concedente avaliar as medidas administrativas cabíveis”.
O parecer dos técnicos da Agereg reforça a “ausência de dados estruturantes e a persistência de descumprimentos contratuais”.
A conclusão é de que a situação é caótica e exige medidas por parte do município: “O cenário apresentado evidencia a existência de fatores que, em conjunto, comprometem a adequada execução contratual, cabendo ao poder concedente avaliar as medidas administrativas cabíveis”.
O relatório escancara a situação precária do serviço de transporte coletivo de Campo Grande operado pelo Consórcio Guaicurus. “Os problemas não são pontuais, mas sim recorrentes ao longo do tempo.”
Frota sucateada
Entre as 31 páginas de exposição, a comissão criada em março também elenca como agravante o índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular. Segundo apontado, os dados evidenciaram o agravamento da situação, passando de 5,4% em 2020 a 18,6% em 2025.
A prefeita Adriane Lopes chegou a comentar antes da intervenção que o Consórcio estava descumprindo o contrato e que havia necessidade de trocar 235 ônibus velhos, cerca de metade de toda a frota. “Desde que eu assumi a gestão, eu estou cobrando aquilo que é o objeto do contrato. Qual é o objeto do contrato? A gente faz a nossa parte, o município, e a empresa faz a parte dela. Hoje nós estamos chegando a 235 ônibus para serem trocados”.
FONTE: MIDIAMAX




