A chegada do inverno e a queda acentuada das temperaturas colocam Campo Grande em alerta para o aumento dos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Com os termômetros marcando 8,2°C nesta semana, as crianças seguem como o grupo mais afetado pela doença, concentrando cerca de 68% das notificações registradas na Capital e somando 14 mortes em 2026.

Somente neste ano, Campo Grande contabilizou 1.365 notificações de SRAG, das quais 928 ocorreram em crianças menores de 10 anos. Os dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) mostram que o grupo mais atingido é o de bebês com menos de 1 ano, responsável por 420 registros. Na sequência aparecem as crianças de 1 a 4 anos, com 348 casos, e aquelas entre 5 e 9 anos, com 160 notificações. Do total de registros, 819 tiveram confirmação da síndrome.

A gravidade do cenário também se reflete nos óbitos. Das 102 mortes por SRAG registradas na Capital neste ano, 14 ocorreram entre crianças. Foram quatro óbitos em menores de 1 ano, cinco na faixa de 1 a 4 anos e outros cinco entre 5 e 9 anos. Outros três ocorreram entre crianças e jovens de 10 a 19 anos.

A pressão sobre a rede de saúde já é perceptível. Entre os dias 7 e 13 de junho, a Rede Municipal registrou 4.955 atendimentos relacionados a doenças respiratórias, sendo 995 realizados na Atenção Primária e 3.960 nos serviços de urgência e emergência.

Idosos lideram número de mortes

Embora as crianças concentrem a maior parte dos casos, os idosos seguem como as principais vítimas fatais da SRAG. Dos 102 óbitos contabilizados em Campo Grande em 2026, 73 ocorreram entre pessoas com 60 anos ou mais.

A faixa etária acima dos 80 anos registrou 22 mortes, seguida pelo grupo de 70 a 79 anos, com 18 óbitos. Entre os idosos de 60 a 69 anos foram contabilizadas outras 21 mortes.

Os dados também apontam que os extremos de idade são os mais vulneráveis às complicações respiratórias. Entre os idosos, foram registrados 215 casos de SRAG, sendo 73 na faixa de 60 a 69 anos, 71 entre 70 e 79 anos e outros 71 em pessoas com mais de 80 anos.

Influenza A está entre os principais agentes associados às mortes

Entre os agentes identificados nos casos de SRAG em Campo Grande, predominam os registros classificados como SRAG não especificada, com 442 ocorrências. Na sequência aparecem rinovírus (256 casos), Vírus Sincicial Respiratório (VSR) (248), Influenza A (109), Influenza B (93), metapneumovírus (49), adenovírus (34) e Covid-19 (18).

Nos óbitos, a maior parte também foi classificada como SRAG não especificada, com 47 registros. Entre os vírus identificados, a Influenza A aparece como a principal causa associada às mortes, com 18 óbitos, seguida pelo rinovírus (16), Influenza B (13), Covid-19 (5) e metapneumovírus (3).

Como se proteger

Para evitar o agravamento dos quadros respiratórios e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde, a Sesau orienta a população a manter a vacinação contra influenza e Covid-19 em dia, higienizar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo com outras pessoas ao apresentar sintomas respiratórios.

A recomendação também inclui atenção redobrada com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, grupos considerados mais vulneráveis às complicações da SRAG. O uso de máscara por pessoas sintomáticas, especialmente ao procurar atendimento médico, também é indicado para reduzir a transmissão dos vírus.

Pessoas com sintomas leves, como coriza, tosse, dor de garganta e febre, devem procurar a unidade de saúde de referência para avaliação. Já casos com falta de ar, desconforto respiratório, febre persistente ou piora do quadro clínico exigem atendimento imediato em unidades de urgência e emergência.

Frente fria pode intensificar circulação de vírus respiratórios

O alerta ocorre em meio à forte frente fria que atinge Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, a madrugada desta quarta-feira (24), foi marcada por temperatura mínima de 8,8°C, chuva acumulada de 26 milímetros e rajadas de vento de até 35 km/h.

No sul do Estado, os termômetros registraram temperaturas ainda mais baixas. Em Ponta Porã, a mínima chegou a 4,7°C, com sensação térmica de 3,2°C durante a madrugada. Já em Amambai, a sensação térmica ficou abaixo de zero, variando entre -1,1°C e -0,2°C.

A previsão indica que a massa de ar frio continuará atuando sobre Mato Grosso do Sul até quinta-feira (25), quando as mínimas podem variar entre 0°C e 2°C em municípios da região sul, com possibilidade de registrar as temperaturas mais baixas do ano.

Segundo a Sesau, o frio favorece a permanência das pessoas em ambientes fechados e aumenta a circulação de vírus respiratórios, o que contribui para uma nova alta de casos de SRAG nas próximas semanas.

 

FONTE: MIDIAMAX