Após ameaça de “greve automática” caso a Prefeitura de Campo Grande não apresentasse proposta de reajuste, professores rejeitaram a oferta enviada pelo Executivo nesta terça-feira (7). Possível movimento paredista foi debatido durante a assembleia da ACP (Associação Campo-Grandense de Profissionais da Educação Pública), mas não chegou a entrar em votação, a fim de manter aberta a mesa de negociação.
A categoria rejeitou a proposta, pleiteando que o reajuste de 5,4% seja pago integralmente em 2026. A Lei nº 7.523, sancionada em novembro de 2025, previa que esse aumento fosse realizado em maio deste ano, em cumprimento ao Piso Nacional do Magistério. A ACP deve enviar contraproposta com esses termos ainda na manhã desta quarta-feira (8).
Toda essa negociação ocorre às vésperas do início das férias escolares. Conforme calendário letivo da Semed (Secretaria Municipal de Educação), os estudantes terão 17 dias de descanso em julho, com período de recesso de 15 a 31 de julho. Ou seja, falta exatamente uma semana para o início das férias de meio de ano.
O que diz a Prefeitura?
Em nota enviada ao Jornal Midiamax, a Prefeitura de Campo Grande afirma que tem “compromisso com a valorização dos educadores e segue empenhada em construir um consenso sobre a recomposição de 5,4% do Piso Nacional do Magistério aos profissionais da Rede Municipal de Ensino“.
Conforme o Executivo, “a proposta apresentada inicialmente foi definida por comissão da qual fazem parte, além de técnicos do Poder Executivo, representantes da Câmara Municipal e do sindicato da categoria, levando em conta, entre outros fatores, ampla análise das possibilidades administrativas e financeiras do município“.
Por fim, a Prefeitura destaca que “tão logo uma contraproposta seja formalizada, será submetida à análise da comissão que trata do assunto, mantendo o esforço conjunto por alternativa que atenda aos professores, garanta a qualidade do ensino na Reme e contemple os limites legais que competem ao Executivo”.
Assembleia
Na assembleia, realizada na noite desta terça (7), mais de 30 professores se inscreveram para o debate, apresentando sugestões, avaliações e contribuições que subsidiaram a elaboração da contraproposta aprovada pelos presentes.
A contraproposta aprovada pela categoria mantém como princípio o pagamento integral dos 5,4% da recomposição do Piso Nacional do Magistério. Como forma de viabilizar um entendimento entre as partes, a ACP propõe que o percentual possa ser quitado de forma parcelada, desde que o pagamento seja integralmente realizado ainda em 2026.
Outro encaminhamento aprovado pela Assembleia foi a criação de uma comissão formada por três professores eleitos pela própria base. O grupo terá a responsabilidade de acompanhar permanentemente o cumprimento dos compromissos assumidos e o andamento das negociações, garantindo maior transparência ao processo e fortalecendo a participação direta da categoria nas tratativas.
Entenda o impasse
No dia 12 de junho, professores protestaram pelo reajuste na Avenida Afonso Pena e paralisaram as aulas em escolas municipais. A manifestação foi seguida de reuniões de negociação nos dias 15 e 24 de junho, além de 1º, 3 e 6 de julho. O encontro desta segunda-feira (6) durou três horas e terminou, mais uma vez, sem acordo.
A Lei nº 7.523, sancionada em novembro de 2025, instituiu três reajustes aos professores de Campo Grande em 2026. O primeiro, de 2%, ocorreu em janeiro. O segundo garantiria reajuste de 100% da correção anual do Piso Nacional do Magistério, em maio. Já o terceiro deve ser de 3%, em setembro.
Este segundo reajuste é alvo de impasse no momento. Em janeiro deste ano, o Governo Federal editou Medida Provisória, criando o percentual de 5,4% para a correção anual do Piso. Assim, esse seria o percentual de reajuste dos professores de Campo Grande.
Por outro lado, o RGD (Relatório de Gestão Fiscal) da Prefeitura da Capital mostra que os gastos com pessoal já alcançam 53,97% da receita corrente líquida. O limite prudencial de gastos, de 51,3%, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, já teria sido ultrapassado. Campo Grande se aproxima do limite máximo, de 54%.Na reunião de negociação realizada em 15 de junho, o secretário de Governo, Ulisses Rocha, citou um déficit de R$ 138 milhões nas contas da Prefeitura, o que dificulta a garantia de um percentual de reajuste e torna necessárias readequações orçamentárias.
FONTE: MIDIAMAX




