A Câmara Municipal de Campo Grande divulgou, na manhã desta segunda-feira (13), uma nota de pesar e decretou luto oficial de três dias pela morte do ex-vereador, ex-deputado estadual e ex-prefeito da Capital, Alcides Bernal, que morreu durante a madrugada desta segunda-feira (13) após uma trombose em uma artéria do coração.
“A Câmara Municipal de Campo Grande manifesta pesar pelo falecimento do ex-vereador, ex-deputado estadual e ex-prefeito da Capital, Alcides Jesus Peralta Bernal, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (13).
Advogado e radialista, Alcides Bernal exerceu dois mandatos como vereador de Campo Grande, de 2005 a 2008 e de 2009 a 2010. Em 2010, foi eleito deputado estadual e, em 2012, venceu eleição para a Prefeitura de Campo Grande, assumindo o cargo em 2013.
Neste momento de dor, a Casa de Leis se solidariza com familiares e amigos”, diz a nota.
A morte ocorreu enquanto Bernal estava preso preventivamente pelo assassinato do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini. O ex-prefeito foi detido em 24 de março deste ano, após se apresentar à polícia. No início deste mês, passou por uma cirurgia cardíaca na Santa Casa de Campo Grande. Após receber alta, retornou ao Presídio Militar, mas sofreu um novo infarto no fim de semana, sendo novamente encaminhado ao hospital, onde morreu.
Trajetória política
Natural de Corumbá, Bernal era advogado e radialista antes de ingressar na política. Foi eleito vereador de Campo Grande em 2004 e reeleito em 2008 como o mais votado da Capital. Em 2010, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Em 2012, foi eleito prefeito de Campo Grande, encerrando duas décadas de predominância do então PMDB no comando da Prefeitura. A gestão foi marcada por sucessivos conflitos com a Câmara Municipal, dificuldades de governabilidade e pela crise provocada pela epidemia de dengue.
Em março de 2014, tornou-se o primeiro prefeito cassado da história de Campo Grande, acusado de irregularidades em contratos emergenciais firmados durante a epidemia, remanejamento de recursos sem autorização do Legislativo e falta de transparência. Após uma disputa judicial, retornou ao cargo em agosto de 2015 por decisão do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
Bernal disputou a reeleição em 2016, mas terminou em terceiro lugar. Posteriormente, tentou concorrer a deputado federal, porém teve a candidatura considerada inapta em razão da inelegibilidade.
Prisão por homicídio
A trajetória política de Bernal terminou de forma definitiva em 2026, quando ele foi preso pelo assassinato do auditor tributário Roberto Carlos Mazzini.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em 24 de março, quando a vítima foi até um imóvel arrematado em leilão para tomar posse da propriedade, acompanhada de um chaveiro. No local, Mazzini foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu.
Bernal apresentou-se espontaneamente à polícia e permaneceu preso desde então. Todos os pedidos de revogação da prisão preventiva foram negados pela Justiça, inclusive pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
O ex-prefeito foi pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado, com as qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além da causa de aumento de pena em razão da idade de Mazzini, que tinha mais de 60 anos. Ele também respondia por porte ilegal de arma de fogo. A prisão preventiva foi mantida até sua morte.
FONTE: MIDIAMAX




