Professores de Campo Grande recuaram da decisão tomada na última assembleia geral da ACP (Associação Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) e votaram no aceite do parcelamento, até janeiro de 2027, do reajuste de 5,4% proposto pela Prefeitura da Capital. A nova votação afasta a possibilidade de greve e encerra a negociação, que se arrastava desde o início de junho.
A Lei nº 7.523, sancionada em novembro de 2025, instituiu três reajustes aos professores de Campo Grande em 2026. O primeiro, de 2%, ocorreu em janeiro. O segundo garantiria reajuste de 100% da correção anual do Piso Nacional do Magistério (5,4%), em maio. Já o terceiro deveria ser de 3% em setembro.
No entanto, não houve aumento na categoria em maio, sob alegação de restrições financeiras. O impasse tomou força a partir do dia 12 de junho, quando professores protestaram pelo reajuste na Avenida Afonso Pena e paralisaram as aulas em escolas municipais. Essa manifestação abriu caminho para reuniões de negociação entre a Prefeitura, vereadores da Comissão de Educação e membros da ACP.
Reajuste parcelado
Depois de seis rodadas de negociação no Paço Municipal, o Executivo voltou a propor o parcelamento do segundo reajuste: 2% em setembro, 1,4% em dezembro e 2,0% em janeiro de 2027, totalizando 5,4%, tendo como referência de base de cálculo o mês de agosto.
Já o terceiro reajuste, de 3%, previsto para setembro deste ano, foi suspenso. O tema voltará à pauta de discussões em janeiro de 2027, conforme a proposta da Prefeitura. A Lei nº 7.523/2025 define ainda que, em 2027, a correção anual do Piso deve ser paga em maio, mais um reajuste de 5% em setembro.
O acordo de reajuste contempla professores aposentados e temporários, incluindo convocados e profissionais com aulas complementares.
Em assembleia realizada na noite desta segunda-feira (13), os professores de Campo Grande aceitaram os termos deste acordo. Na última reunião geral da categoria, na terça-feira passada (7), eles tinham rejeitado proposta semelhante, considerando que o aumento deveria ser integral em 2026.
Além disso, o Executivo também se compromete a publicar no Diário Oficial a tabela salarial da categoria e o calendário de reuniões mensais da Comissão de Estudos e Análise das Políticas Públicas de Educação, composta por ACP, secretários e vereadores.
‘Não é o resultado nos prazos que defendíamos’, diz ACP
Em nota, a ACP reconhece que a proposta aprovada não contempla integralmente a reivindicação inicial, mas diz que ela foi avaliada pela assembleia considerando o longo processo de mobilização e negociação.
“Entramos nesse movimento com reajuste zero. Saímos não com aquilo que pretendíamos e que nos é de direito, que era o pagamento à vista no mês de maio, mas com avanços construídos após muita mobilização”, afirma o presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni.
Para a ACP, a mudança entre o cenário inicial — sem previsão concreta de reajuste — e a proposta aprovada nesta segunda-feira é resultado da organização e da pressão coletiva dos profissionais da educação.
“Não é o resultado nos prazos que defendíamos desde o início, mas a categoria avaliou, debateu e decidiu. A ACP respeita a decisão soberana da assembleia e seguirá acompanhando o cumprimento de cada etapa do acordo”, conclui Gilvano.
Limitações financeiras
No ofício enviado à ACP, com a proposta aprovada pela assembleia, a Prefeitura de Campo Grande afirma que o acordo considera “o compromisso da Administração Municipal com a valorização dos profissionais da educação, sem perder de vista a responsabilidade fiscal e a sustentabilidade das contas públicas”.
O Relatório de Gestão Fiscal do primeiro quadrimestre de 2026 mostra que os gastos com pessoal já alcançam 53,97% da receita corrente líquida do município. O limite prudencial de gastos, de 51,3%, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, já teria sido ultrapassado. Campo Grande se aproxima do limite máximo, de 54%.
Na reunião de negociação realizada em 15 de junho, o secretário de Governo, Ulisses Rocha, citou um déficit de R$ 138 milhões nas contas da Prefeitura, o que dificulta a garantia de um percentual de reajuste e torna necessárias readequações orçamentárias.
Após a assembleia da ACP rejeitar a proposta de parcelamento do reajuste aos professores na última terça (7), a prefeita Adriane Lopes afirmou que seguirá negociando com a categoria. Ela explicou que o Executivo cumprirá a Lei do Piso do Magistério, mas precisa equilibrar a responsabilidade fiscal.
FONTE: MIDIAMAX




