A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), a Operação Lívia, contra um grupo que promovia ações de ódio contra mulheres, principalmente aquelas que ocupam cargos de autoridade. O grupo é investigado pela morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí.

A organização utilizava o Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e outros discursos de ódio, principalmente misóginos, além de planejar um ataque durante o período eleitoral de 2026.

Segundo as investigações, o grupo usava ambientes virtuais para atrair adolescentes, submetê-los à coerção psicológica e incentivá-los à prática de atos de violência extrema, além de divulgar as imagens produzidas.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, nos estados do Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.

Prints induziram morte

A adolescente estaria participando de um grupo no Discord, plataforma usada para comunicação individual ou em grupos que permite enviar mensagens de texto e criar chamadas de áudio ou vídeo.

Capturas de tela que circulam nas redes sociais mostram mensagens atribuídas a integrantes do grupo. “Tropinha, isso é oq acontece quando demora tanto pra fazer a p**** de um lulz, o próximo será possivelmente um homicídio…”, descreve uma das mensagens

Morte da adolescente

A operação teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos, registrada em 22 de julho, em MS. A Polícia Civil apura se a vítima participava de grupos em plataformas de comunicação online, principalmente no Discord, onde teria sido alvo de pressão psicológica e humilhações. A investigação também busca esclarecer se integrantes dessas comunidades incentivaram a adolescente a cumprir desafios violentos e a cometer suicídio.

Ainda foi apurado que a morte da adolescente ocorreu durante uma transmissão ao vivo em uma comunidade digital. Após a adolescente ser encontrada pelos pais na varanda de casa, prints de supostas conversas passaram a circular nas redes sociais. O material apreendido na operação será analisado para identificar outros envolvidos e esclarecer as circunstâncias do caso.

As investigações fazem parte do eixo de enfrentamento à misoginia digital desenvolvido pelo Centro Integrado Mulher Segura (CIMS) e contam com o apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao MJSP.

 

FONTE: MIDIAMAX