Ainda sem entenderem a motivação do crime, amigos de Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, morta com golpes de foice, na noite desta quarta-feira (19), no bairro Cristo Redentor, em Campo Grande, dizem que horas antes do feminicídio o autor teria pegado o celular da vítima e, depois de olhar por alguns minutos, teria jogado o aparelho no colo de Joseane.

Na manhã desta quinta-feira (20), um amigo de infância da vítima lavava o chão sujo de sangue onde Joseane foi morta. Ele conversou com o Midiamax, mas não quis se identificar. Ele acredita que algum conteúdo no celular possa ter motivado o crime, mesmo que não haja justificativa para tal violência, disse ele.

Conforme informações levantadas pelo Jornal Midiamax, na noite de quarta (19), Joseane estava bebendo em um bar e em seguida foi para a casa de uma amiga, onde continuou a consumir bebida alcoólica na frente da residência, junto com a amiga.

“Ele é louco mesmo. Quando ele passou por mim, ele estava cobrando algo do celular dela (momentos antes do crime). Parece que ele tinha visto alguma coisa. Ele foi até a casa da amiga dela e eu estava passando. Ele pediu o celular dela duas vezes. Aí ele olhou assim o celular dela e jogou no colo dela e saiu”, disse o amigo de Joseane.

As primeiras informações são de que o autor teria utilizado uma foice para matar Joseane. Porém, um martelo, sujo de sangue e com cabelos da vítima, foi encontrado no local do crime e pode ter sido usado pelo agressor.

A vítima começaria hoje em um novo emprego, em um supermercado no bairro. Joseane tinha uma medida protetiva contra o autor, mas pediu a retirada 10 dias depois. Ela voltou a morar com Lourival no dia 16 deste mês, quando a medida foi revogada.

Logo depois de matar Joseane, Lourival fugiu de bicicleta. Câmeras de segurança registraram a fuga.

Autor

No dia 6 de julho de 2025, o autor tentou matar o vizinho Wildner Rocha dos Santos, mas não consumou o crime por circunstâncias alheias à sua vontade.

Conforme a denúncia, o denunciado cometeu o crime de tentativa de homicídio qualificado pelo motivo torpe e pelo recurso que dificultou a defesa da vida. Segundo foi apurado, o denunciado e a vítima tiveram um desentendimento anterior em razão de uma aposta feita em uma partida de sinuca. Diante disso, na data dos fatos, Lourival, sem qualquer consentimento da vítima, adentrou na casa dela e ficou aguardando a sua chegada.

Assim, quando Wildner chegou à sua residência, foi surpreendido pelo denunciado que, sem nada dizer, partiu pra cima dele, desferiu-lhe golpes de arma branca e, em seguida, evadiu-se sem prestar socorro. O vizinho Marcelo Gauto Acunha percebeu a situação de Wildner e acionou os serviços de emergência, de modo que o homem foi socorrido e encaminhado para atendimento médico.

“Ressalta-se que o crime foi cometido por motivo torpe, dado que o denunciado agiu com desejo de acerto de contas em decorrência de discussão anterior com a vítima. Assim, decidiu ceifar-lhe a vida. Dada a repugnância da motivação do crime, caracterizada está a qualificadora”, diz a denúncia.

Feminicídio

Joseane foi morta com golpes no pescoço e na nuca. Conforme informações, após uma discussão, o autor a atingiu com os golpes de foice e então fugiu.

Segundo apurado, Joseane morava com o autor no local há dois meses. Os dois estariam juntos há aproximadamente quatro anos. Uma pessoa próxima da vítima disse que ela já havia sido agredida por ele mais de uma vez. “Joseane chegou a ir para a Santa Casa e perdeu um bebê que era dele”, disse.

Este já é o vigésimo segundo feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026.

📍 Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aquiElas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

 

FONTE: MIDIAMAX