Bancários de Campo Grande realizam manifestação na manhã desta quinta-feira (20), em frente à agência do Banco do Brasil na Avenida Afonso Pena. A categoria aderiu à paralisação nacional por 24 horas para reivindicar reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
Segundo a presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, Neide Rodrigues, que representa 27 municípios de Mato Grosso do Sul, o movimento ocorre após rodadas de negociação sem sucesso com as instituições financeiras.
“Essa semana, nós tivemos a oitava rodada sem o banco apresentar nenhuma proposta de reivindicação. Então, esse movimento é em razão disso, de que nenhuma proposta concreta veio da Febraban [Federação Brasileira de Bancos] pra categoria bancária”, explica a presidente.
As reivindicações são por reajuste salarial com correção da inflação e ganho real de 5%. Conforme Neide Rodrigues, a federação apresentou propostas que desagradaram à categoria, como separação da negociação entre rede privada e rede pública e divisão do vale-alimentação e refeição por região.
“Na última mesa [de negociação], eles não apresentaram; ficaram de apresentar proposta de reajuste escalonado, que nós também não aceitamos. Seria pra quem ganha mais, um índice sempre menor, e pra quem ganha menos, um índice maior. Mas qual é o índice? Eles também não apresentaram nem o índice”, completa.
A paralisação ocorre em todo o país e deve durar até esta sexta-feira (21). Segundo a presidente, ao menos 30 agências estão paralisadas em Mato Grosso do Sul nesta quinta, ainda que a adesão dos funcionários não seja obrigatória.
50 agências fechadas
Além da reivindicação pelo reajuste salarial, os bancários denunciam o fechamento exagerado de agências. A presidente informou que ao menos 50 agências de Campo Grande encerraram as atividades nos últimos anos.
“Eu não tenho um número exato, mas posso dizer que nós tivemos um fechamento, só aqui na Capital, de mais de 50 agências fechadas. Se a gente for computar isso em nível nacional, houve uma queda de basicamente uns 40% no total de agências. Estão abrindo agências digitais e agências que incorporam todas as funções em uma só, com atendimento à alta renda”, afirma.
Entre 2015 e 2026, o número de agências físicas no Brasil saiu de 22.786 para 13.291, com redução de 42%. Somente entre janeiro e maio de 2026, 941 agências encerraram suas atividades no país. Além disso, 48% dos municípios brasileiros não possuem qualquer agência bancária, seja pública ou privada.
Por outro lado, os bancos lucraram R$ 171 bilhões em 2025, dos quais R$ 124 bilhões concentraram-se nos cinco maiores bancos do país, totalizando um patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão.
Acordo e Febraban
Neide Rodrigues explicou que a convenção coletiva da categoria tem vigência até o dia 30 de agosto. No entanto, a manifestação ocorre para pressionar os bancos para que o acordo seja garantido.
“Depois da reforma trabalhista, não tem mais a ultratividade, que dava garantia da manutenção da convenção coletiva no processo negocial, onde a gente não perdia nenhum direito. Depois da reforma, a gente perde isso se a gente não renovar a convenção coletiva até o dia 30”, explica.
“A negociação volta na segunda-feira, dia 24. Dias 24, 25, 26, 27, até o fim do mês, a gente vai estar em São Paulo, conversando com a Febraban. Já tem esse calendário. Esperamos que haja, por parte deles, a sensibilidade de dar realmente uma proposta adequada para os trabalhadores bancários”, completa.
O Jornal Midiamax acionou a Febraban e solicitou posicionamento sobre a paralisação e as reivindicações da categoria e aguarda retorno. Na quarta-feira (19), a federação informou que acompanha o movimento e afirmou que as negociações seguem dentro do cronograma, com expectativa de que seja alcançado um acordo entre as partes.




