Dias após a comemoração do aniversário do PCC (Primeiro Comando da Capital) entre detentos no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, as visitas foram suspensas temporariamente.

Na última segunda-feira (31), dia em que a facção criminosa completa 33 anos, os presos fizeram uma festa de aniversário regada a drogas. Após a identificação dos envolvidos, a Operação Nêmesis foi deflagrada para fazer um pente-fino na unidade e os detentos foram transferidos.

Inclusive, na manhã desta quarta (2), um comboio de viaturas da Polícia Penal foi visto pela cidade, em direção à saída para Três Lagoas. Ao Jornal Midiamax, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) afirmou, em nota, que a entrega de pertences aos internos precisou ser suspensa por causa da operação.

De acordo com a agência, a medida é necessária para garantir a segurança e o andamento da operação. A entrega dos pertences será reagendada e os familiares serão informados sobre a nova data.

Confira a nota na íntegra:

A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informa que a entrega de pertences aos custodiados, prevista para esta data, precisou ser suspensa temporariamente em razão da realização do segundo dia da Operação Nêmesis, que envolve procedimentos de segurança, incluindo revistas nas celas e transferências de custodiados.

A medida é necessária para garantir a segurança e o adequado andamento da operação, que, por sua própria natureza, requer sigilo e não permite comunicação prévia sobre determinadas ações às pessoas externas à unidade prisional.

A entrega de pertences será reagendada e informada aos familiares.

Droga no presídio

A Agepen-MS afirmou que as drogas entraram na Máxima por meio de arremessos de drones. Recentemente, a Polícia Penal e a Força Penal Nacional teriam intensificado o monitoramento, interceptando 13 tentativas de entrega por drones na unidade penal entre os dias 25 e 29 de agosto.

No entanto, a ação não impediu a entrada do entorpecente no presídio, conforme os presos exibiram nos vídeos. Após o Midiamax divulgar a reportagem e cobrar ações, a Agepen-MS informou que realizou um pente-fino no presídio.

“Todos os internos identificados também estão sendo submetidos ao Procedimento Administrativo Disciplinar do Interno (PADIC). A manifestação coletiva de apoio ou alusão a organizações criminosas pode configurar falta disciplinar grave, conforme a Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984), com possíveis consequências no cumprimento da pena. Dependendo da conduta, também pode haver responsabilização criminal, nos termos do Código Penal e da Lei nº 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas)”, pontua a Agepen-MS em nota.

Os vídeos aos quais o Jornal Midiamax teve acesso mostram os criminosos em volta de uma mesa forrada de cocaína, com fala dos criminosos agradecendo a participação de todos os envolvidos e comemorando os 33 anos do PCC, além de colocar a Máxima como a “maior sede dentro de MS”.

Aniversário do PCC

“Aniversário do comando, 33 anos. Mato Grosso do Sul, Máxima em Campo Grande, maior sede do PCC dentro do estado de MS”, diz o criminoso, não identificado até o momento.

A Agepen-MS não divulgou o nome dos envolvidos ou quantos foram transferidos e afirmou que essas informações são sigilosas.

O PCC ‘nasceu’ em 31 de agosto de 1993, e a comemoração dentro do presídio não é fato novo. Em 2016, o Midiamax deu a mesma notícia, quando imagens dos presos comemorando o aniversário da facção também chegaram ao jornal.

Na época, as fotos eram de Alexandrinho, o Alexandre Barreto de Castro. Ele estava preso por matar o policial militar Rony Maickon Varoni de Moura da Silva. Anos depois, já em liberdade, Alexandrinho morreu em confronto com a Polícia Militar, em 2022.

Oito detentos teriam criado a facção durante uma partida de futebol na quadra do Piranhão, conhecida por receber condenados que cometeram crimes de grande repercussão. Transferidos da capital de São Paulo para lá como castigo por mau comportamento, eles resolveram batizar o time deles de Comando da Capital.

Ainda no início da facção, o time de criminosos dizia que o PCC havia sido criado para “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista” e “para vingar a morte dos 111 presos”, em 2 de outubro de 1992. Naquele dia, ocorreu o episódio que ficou conhecido como “massacre do Carandiru”, quando homens da PM mataram presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo.