Em um período de quatro meses – entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 – quando o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) iniciou as investigações da Operação Infiltrados, a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), sob o comando do delegado Hoffman d’Ávila Cândido e Sousa, apreendeu quase 350 quilos de cocaína.
O levantamento feito pelo Jornal Midiamax considera as apreensões divulgadas publicamente pela Polícia Civil até o dia 10 de fevereiro, quando Hoffman deixou o comando da Denar. Nesse intervalo, foram localizados registros de pelo menos 634,5 quilos de drogas apreendidas em ações da especializada. Desse total, aproximadamente 348,9 quilos eram cocaína.
O volume pode ser ainda maior, já que o levantamento considera apenas ocorrências em que a quantidade apreendida foi divulgada. Não há, até o momento, confirmação de que as cargas identificadas neste levantamento estejam entre as drogas que, segundo a investigação, teriam sido desviadas por policiais.
O recorte começa em outubro porque, segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), foi naquele mês que tiveram início as investigações da Operação Infiltrados, a partir de provas encontradas durante as operações Traquetos e Blindspot.
Hoffman permaneceu à frente da Denar até fevereiro deste ano, quando deixou a unidade para assumir o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).
330 kg em única apreensão
A maior apreensão de cocaína localizada entre o início das investigações e a saída de Hoffman da Denar, ocorreu em 27 de novembro de 2025, quando a especializada e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) encontraram 332,4 quilos da droga dentro de uma caminhonete na BR-163, em Campo Grande.
Segundo a Polícia Civil, a ação começou depois que a Denar recebeu informação de inteligência indicando que uma Toyota Hilux estaria transportando grande quantidade de entorpecentes pela rodovia, na região da Chácara das Mansões.
A PRF foi acionada e abordou o veículo no km 452. Na carroceria foram encontradas 12 caixas de papelão contendo tabletes de pasta base e cloridrato de cocaína. O motorista foi preso e levado para a sede da Denar.
Duas semanas antes, em 14 de novembro, a especializada já havia apreendido outros 7,162 quilos de cocaína durante a Operação Nárke V, no Loteamento Rancho Alegre II. Dois homens foram presos e uma pistola 9 milímetros, com numeração suprimida, também foi apreendida.
No início de dezembro, outras ações realizadas durante as operações Faro e Codesul II resultaram na apreensão de 9,318 quilos de cocaína. Parte da droga estava sendo transportada por passageiros bolivianos em ônibus vindos da região de fronteira. Houve ainda apreensões de skunk e haxixe.
Mais de 630 kg de drogas
Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, a Denar divulgou apreensões que somam pelo menos 635 quilos de drogas, incluindo o total de cocaína.
Em outubro, foram cerca de 263 quilos, principalmente maconha e skunk. Em novembro, o volume passou de 358 quilos, com destaque para 332 quilos de cocaína apreendidos em uma única ação na BR-163.
Em dezembro, outras operações resultaram na apreensão de cerca de 13 quilos de drogas, entre cocaína, skunk e haxixe. Já em janeiro de 2026, uma ação iniciada a partir de informações da Denar terminou com aproximadamente 500 gramas de crack.
Outra operação realizada no fim de janeiro apreendeu cocaína e maconha, mas o peso não foi divulgado e, por isso, não entrou na soma feita pelo Jornal Midiamax.
10 toneladas incineradas
Na reta final da passagem de Hoffman pela Denar. Em 6 de fevereiro de 2026, quatro dias antes da troca no comando da especializada, a Polícia Civil realizou a incineração de quase 10 toneladas de drogas em Campo Grande.
Foram destruídos quase 9 kg de maconha e mais de 1 tonelada de cocaína. Hoffman, ainda como titular da Denar, acompanhou a incineração ao lado da equipe da delegacia, representantes do Ministério Público, perícia e Vigilância Sanitária.
Porém, conforme informado pela própria Polícia Civil, os entorpecentes incinerados eram provenientes de apreensões realizadas por diferentes forças de segurança de Campo Grande.
Quatro dias depois desta incineração, Hoffman deixou a Denar e assumiu o comando do Garras.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína.
Segundo o MPMS, os entorpecentes seriam desviados de duas maneiras: parte da droga encontrada durante ocorrências policiais não seria informada nos registros oficiais ou cargas já apreendidas seriam retiradas diretamente de depósitos de delegacias.
Ainda conforme a investigação, as drogas desviadas seriam posteriormente entregues a traficantes ligados ao grupo para serem recolocadas no mercado ilegal.
As investigações começaram em outubro de 2025 a partir de elementos encontrados nas operações Traquetos e Blindspot. Nesta quinta-feira (24), o Gaeco saiu às ruas para cumprir 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Hoffman foi preso preventivamente. A defesa afirmou que foi surpreendida pela investigação e aguardava acesso aos autos para conhecer os elementos reunidos contra o delegado.
FONTE: MIDIAMAX




