A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), atribuiu ao volume de chuvas acima da média parte dos transtornos registrados na Capital nos últimos dias. Segundo a chefe do Executivo, outubro de 2026 já acumula precipitação muito superior à registrada no mesmo período do ano passado, em um cenário que ela relaciona aos efeitos do El Niño.

“Campo Grande tem problemas, mas está chovendo muito acima da média. Em outubro do ano passado foram registrados 88 mm. Só nos primeiros dias deste mês já totaliza 207,6 mm. O El Niño tem castigado muito a nossa Capital”, afirmou.

A declaração ocorre após a chuva de quinta-feira (15) atingir 143 milímetros em Campo Grande, conforme dados divulgados pelo meteorologista Natálio Abrão. O volume estabeleceu um recorde para um único dia de outubro na série histórica citada pelo especialista e corresponde a aproximadamente 95% da média histórica de precipitação para o mês inteiro, estimada em 150,6 milímetros pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima.

Diante dos estragos, Adriane afirmou que equipes municipais estão mobilizadas para levantar os danos, retirar entulhos e prestar assistência às famílias atingidas.

“A Secretaria de Obras, Defesa Civil estão realizando os levantamentos dos estragos. Estamos fazendo a retirada dos entulhos. Assistência Social e Habitação estão trabalhando juntos. Estamos fazendo o atendimento de emergência, mas também não podemos esquecer que é um trabalho contra a natureza”, ressaltou.

Chuva provoca alagamentos em diferentes regiões

O temporal começou por volta das 11h30 de quinta-feira, com registro de granizo em diferentes regiões da Capital. A chuva provocou alagamentos em ruas e avenidas, transbordamento de cursos d’água e dificuldades para motoristas e moradores.

Na região do Carandá Bosque, a estação meteorológica da Uniderp registrou o maior volume de precipitação. Já a estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Jardim Panamá, contabilizou 86,6 milímetros. No Centro, o acumulado chegou a 73,2 milímetros.

Entre os pontos afetados estão a Avenida Nelly Martins, onde trechos ficaram inundados, e a Avenida Senador Filinto Müller, que teve o trânsito interditado após o transbordamento do Lago do Amor. O lago do Parque das Nações Indígenas também transbordou.

Na Vila Popular, moradores da parte baixa da Avenida Rádio Maia relataram alagamentos em mais de seis casas. Segundo os relatos, o problema estaria relacionado ao represamento do Córrego Imbirussu quando comportas de um frigorífico próximo são fechadas. A situação dificulta o escoamento da água durante chuvas intensas.

O Jardim Los Angeles também registrou pontos de alagamento em diversas ruas, entre elas Antônio Prado, José Peixoto, Augusta Rossini Guidi, Dom Fernandes Sardinha e Patrocínio. Na região, a força da água chegou a derrubar um motociclista.

A Avenida Guaicurus, no trecho de acesso ao Jardim Centro-Oeste, voltou a apresentar alagamentos.

Volume supera acumulados de outubro dos últimos quatro anos

O volume registrado na quinta-feira supera o total acumulado durante todo o mês de outubro nos quatro anos anteriores. Em 2025, foram 88 milímetros; em 2024, 75 milímetros; em 2023, 18,6 milímetros; e, em 2022, 114,8 milímetros.

“Foi o maior volume de chuva da história do mês de outubro em um só dia”, afirmou Natálio Abrão.

A chuva intensa também provocou estragos em municípios do interior de Mato Grosso do Sul desde o início da semana. Cerca de 70 famílias que vivem em áreas vulneráveis foram impactadas, entre pessoas que ficaram ilhadas ou desalojadas.

Previsão mantém alerta para novas chuvas

A previsão para esta sexta-feira (16) indica continuidade das instabilidades em Mato Grosso do Sul. As pancadas de chuva estão associadas à passagem de uma frente fria e à formação de um ciclone extratropical sobre o Oceano Atlântico.

As regiões norte, nordeste e leste do Estado têm maior possibilidade de registrar chuvas intensas, com acumulados expressivos, raios e rajadas pontuais de vento. No sul e sudoeste, são esperadas precipitações de menor intensidade, além de possibilidade de neblina e nevoeiros.

Os ventos devem predominar do quadrante sul, com velocidades entre 30 km/h e 50 km/h, podendo superar essa faixa em rajadas isoladas.

Com o solo já encharcado pelo volume acumulado, a continuidade das chuvas aumenta o risco de novos alagamentos, especialmente em áreas vulneráveis e locais com dificuldades de drenagem.

Como o El Niño influencia as chuvas

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

Em Mato Grosso do Sul, os efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno e sua interação com outros sistemas atmosféricos. Por isso, embora o El Niño possa favorecer determinadas condições de chuva, a ocorrência e a intensidade de cada episódio também dependem de outros fatores meteorológicos.

 

FONTE: MIDIAMAX