O policial militar de 36 anos preso durante a Operação Consorte, referente à terceira fase da Operação Courrier, foi capturado no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), em Campo Grande. Ele e a esposa, que é advogada, foram presos pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), na quinta-feira (29).

As investigações apontaram que o policial vazava informações sigilosas à esposa. Os dois são investigados por integrarem o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A equipe da Corregedoria-Geral da PM, em apoio operacional ao Gaeco, chegou ao CFAP no início da manhã para cumprir o mandado contra o policial. Lá, ele foi cientificado do mandado de prisão e de busca e apreensão.

Ainda nas diligências, as equipes apreenderam a pistola do militar, acompanhada de três carregadores e 50 munições, recolhidos para a Corregedoria-Geral. Questionado sobre o colete balístico institucional, o militar disse que não se lembra de onde está.

Após a prisão, o policial foi encaminhado ao PME (Presídio Militar Estadual). A equipe deu oportunidade para que o militar assinasse as peças cartorárias referentes à sua prisão e ciência das ordens judiciais, mas ele recusou. Ele também negou-se a fornecer a senha de desbloqueio de seu celular, bem como a senha do relógio digital.

O policial foi advertido sobre as consequências de suas recusas e manteve-se irredutível. Ele, que foi afastado da corporação, passa por audiência de custódia nesta sexta-feira (30).

Advogada era ‘de confiança’ da organização criminosa

A advogada presa durante a Operação Consorte, referente à terceira fase da Operação Courrier, tinha um papel importante no núcleo “Sintonia dos Gravatas”, trabalhando como pessoa de confiança da organização criminosa.

As investigações apontaram que o policial vazava informações sigilosas à esposa. O militar teria feito consultas no sistema de ocorrências policiais de pessoas presas em regime fechado, algo “totalmente fora das suas atividades rotineiras”. As pesquisas eram dirigidas principalmente a membros presos da organização criminosa.

No caso da advogada, relatórios de investigação apontam visitas a custodiados, contatos com integrantes da facção, possível recebimento e distribuição de recursos e atuação para circulação de recados ou informações entre integrantes da organização.

As investigações apontaram que o policial militar teria acessado os dados no sistema entre os anos de 2013 e 2018 e repassado as informações privilegiadas obtidas para a esposa, que exerceria a função de “gravata”. A advogada distribuía as informações privilegiadas a colegas de profissão e a integrantes do PCC.

A advogada presa pelo Gaeco atua como conselheira do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MS, vice-presidente da Comissão da Advocacia Criminal e presidente da Abracrim (Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas) Mulher de MS.

Os mandados de prisão preventiva em relação ao casal foram expedidos em 30 de julho deste ano pela 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Policial foi afastado

Durante a ação na manhã de quinta-feira (29), referente à terceira fase da Operação Courrier, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados, além da prisão do policial e da esposa.

Procurada pela reportagem do Midiamax, a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) disse que está acompanhando todo o processo e colaborando com o Ministério Público. A instituição afirma que permanecerá à disposição para prestar todo o apoio necessário ao andamento das ações. 

Em nota, a PMMS enfatiza que eventuais desvios de conduta individuais não refletem o padrão de atuação dos servidores e que não compactua com desvios de conduta ou procedimentos que extrapolem os limites operacionais estabelecidos nas doutrinas e diretrizes da instituição.

Ainda em nota, a PMMS pontua que “o militar envolvido foi prontamente afastado de suas funções, e já foram instaurados os devidos procedimentos administrativos internos cabíveis para apuração dos demais fatos e responsabilização das condutas em nível disciplinar, com posterior aplicação das sanções consideradas cabíveis”.

O militar é investigado pelos crimes de organização criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional. Segundo a PMMS, após os trâmites legais, ele será conduzido ao Presídio Militar Estadual.

A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul) também se manifestou a respeito da operação que também envolveu uma advogada, esposa do militar. Também em nota, a OAB-MS disse que a Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados – Subseção de Dourados acompanhou as diligências e “adotará as medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando sempre o direito à ampla defesa e ao contraditório”.

 

FONTE: MIDIAMAX