A família de Isabel Cristina Freitas de Souza revelou que o laudo pericial apontou asfixia e lesões pelo corpo dela. Isabel foi encontrada morta dentro de um saco de lixo em um córrego na região de Terenos, cerca de 10 dias após ter sido vista pela última vez, saindo de um pagode, na Avenida Capibaribe, em Campo Grande, acompanhada de um homem. Esse homem ainda não foi localizado.
Isabel tinha 38 anos e deixa um filho, de 21, além de outros familiares e amigos. Ao Jornal Midiamax, o irmão dela, Anibal de Souza Júnior, revelou que o laudo apontou que a vítima teria sido asfixiada.
“O laudo deu asfixia e lesões no corpo, além de trauma no crânio e na face. Possivelmente, ele asfixiou. Ela tentou se esquivar de alguma coisa. E [houve] a pancada na cabeça e na face”, afirmou Anibal.
‘Queremos justiça!’
A vítima foi sepultada na manhã desta quinta-feira (5) no Cemitério Park Monte das Oliveiras. O velório não foi possível devido às condições em que o corpo foi encontrado. O irmão de Isabel lembrou da quantidade de feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul e falou sobre a insegurança das mulheres.
“A gente quer não quer deixar no esquecimento. A gente não tá tendo segurança com as mulheres, com as irmãs, com a filha. Queremos justiça! A gente quer o governo, prefeitura, queremos todo mundo em uma causa só e acabar, de vez, com esse mal. Desses homens aí que acham que são o donos do mundo, donos das mulheres. [Acham que] pode fazer o que quer”, pontuou o irmão.
Conforme noticiado anteriormente, o mototaxista que teria sido visto com Isabel pela última vez sumiu após ser informado de que um boletim de ocorrência havia sido registrado. Anibal lamentou a crueldade feita com Isabel e pediu que o suspeito seja preso.
‘Minha mãe não vai poder ver o rosto da filha uma última vez!’
“O que fizeram com a minha irmã não desejo pra ninguém, para mãe nenhuma. Minha mãe tá passando mal. Eu quero esse cara atrás das grades! Eu quero esse cara com a polícia! Quero olhar pra ele, no olho dele! Minha mãe não vai poder ver o rosto da filha uma última vez! Já imaginou passar por isso? Eu quero que a polícia dá mais detalhes e investiga melhor pra não ficar impune como os outros casos ficaram”, disse o irmão.
Durante a despedida de Isabel nesta quinta-feira (5), Anibal lembrou com carinho da irmã, considerada uma pessoa doce e maravilhosa. “Minha irmã sempre foi doce. Minha irmã sempre gostou da vida. Linda, maravilhosa, princesa. Sempre gostava de se arrumar. Gostava de sair, curtir a vida e sempre voltava”, lembrou.
O caso de Isabel está sendo investigado pela Polícia Civil, e o homem que foi visto com ela pela última vez está sendo procurado. Inclusive, a família tem divulgado cartaz nas ruas e a foto do suspeito nas redes sociais.
Sapato ajudou polícia a encontrar corpo de Isabel
Ao Jornal Midiamax, a irmã de Isabel contou que soube pela imprensa que ela foi encontrada. Pouco tempo depois, recebeu a ligação da polícia informando da localização. “Eu soube porque comecei a receber muitas ligações ao mesmo tempo, dizendo que estava na televisão e eu não tinha visto”, contou.
Segundo ela, o sapato da Isabel foi encontrado no dia anterior por uma testemunha, às margens do córrego. A peça foi entregue à equipe da Deam e os policiais foram até o local.
“Por volta das 18h40, a delegada me ligou e informou que ela foi encontrada com as características que eu tinha descrito. E o sapato dela também foi encontrado no dia anterior; foi graças a isso que chegaram ao corpo dela”, afirmou a familiar.
Mototaxista desapareceu após ser informado do boletim de ocorrência
O homem visto com Isabel pela última vez é mototaxista e foi visto em um pagode na Avenida Capibaribe, em Campo Grande, com a vítima. Depois, os dois foram vistos em uma conveniência, de onde saíram ocupando uma motocicleta Yamaha Factor, de cor branca.
“Ele não foi só naquele pagode, ele esteve em uma conveniência lá no Portal Caiobá, onde a Isabel subiu na moto com ele e saíram. Depois, a gente não viu mais ela. Na verdade, eu tive contato com ela uns 20 minutos depois que ela saiu dessa conveniência e ela não apareceu mais depois disso”, explicou a irmã.
Feminicídios em 2026
O último feminicídio registrado em Campo Grande foi no dia 16 de setembro. Vera Lucia Rossate da Cunha foi assassinada dentro de seu comércio de aviamentos e cosméticos, no bairro Zé Pereira. O autor foi apontado como o irmão dela, Judicrei Rossate da Cunha, que tirou a própria vida após o crime.
No âmbito estadual, o último feminicídio registrado foi no último dia 23, em Três Lagoas, a 323 quilômetros de Campo Grande. Thais de Souza Moraes, de 25 anos, estava sentada em uma cadeira quando foi assassinada com oito tiros na Vila Alegre. Um homem de 41 anos, suspeito do crime, foi preso pela PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) no dia seguinte e o caso segue em investigação.
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril;
- Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril;
- Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril;
- Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio;
- Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho;
- Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho;
- Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho;
- Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho;
- Ana Carolina Goes (Água Clara) – 30 de julho;
- Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho;
- Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto;
- Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto;
- Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto;
- Joseane Oliveira Nunes (Campo Grande) – 19 de agosto;
- Fátima Alves de Matos (Costa Rica) – 21 de agosto;
- Marta Florentino Godoi (Aquidauana) – 24 de agosto;
- Adrieli dos Santos (Campo Grande) – 29 de agosto;
- Vera Lucia Rossatte da Cunha (Campo Grande) – 16 de setembro;
- Thais de Souza Moraes (Três Lagoas) – 23 de outubro.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileiraestá localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190.Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
FONTE: MIDIAMAX




