Os entrosamentos e ações transnacionais de parlamentares é fundamental no processo de efetivação da Rota Bioceânica, projeto que liga os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de corredor que passará por territórios do Brasil, Argentina, Paraguai e Chile. A necessidade desse esforço político foi discutida na reunião da Frente Parlamentar Internacional pela Integração Bioceânica, realizada na Sala da Presidência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), como parte da programação do 1º Fórum Integração dos Municípios do Corredor Bioceânico.
A reunião foi coordenada pelo senador Nelsinho Trad (PSD/MS), presidente da Frente Parlamentar Internacional pela Integração Bioceânica, e contou com a participação do presidente da ALEMS, Paulo Corrêa (PSDB), dos deputados estaduais Capitão Contar (PRTB) e Felipe Orro (PSD), do ministro João Carlos Parkinson de Castro, coordenador nacional do Corredor Rodoviário Bioceânico, da senadora Simone Tebet (PSDB) e de parlamentares da Argentina, do Chile e do Paraguai.
“É importante falarmos aqui sobre o nosso acompanhamento parlamentar sobre esse projeto, seus alcances e desafios”, disse Nelsinho Trad, propondo a tônica da reunião. “Precisamos ampliar essa Frente Parlamentar Internacional para que essa integração possa ser cada vez mais eficiente. Esse Fórum deve ser servir de exemplo para que outros sejam realizados em outros países. Se sairmos daqui com isso tabulado, teremos um grande feito em todo esse processo”, disse.
O senador também destacou a necessidade de fortalecer as relações entre os parlamentares dos países envolvidos. “Nosso objetivo aqui é justamente o de fortalecer o entrosamento parlamentar de quem acredita nesse projeto, consequentemente, por esse fortalecimento, fortalecer os braços dos países que neles estão evolvidos”, afirmou. Para Nelsinho, “o entusiasmo não deve se restringir só a este ou aquele parlamentar, mas deve contagiar a todos os demais. E o desafio é promover outro seminário semelhante a esse no Paraguai, no Chile ou na Argentina”, completou.
Entraves burocráticos relativos ao trânsito aduaneiro foram destacados pelo ministro João Carlos Parkinson. De acordo com ele, as ações concernentes às obras estão bem encaminhadas, mas é preciso resolver problemas de passagem entre os países. “Como se processará o trânsito aduaneiro e como a carga será distribuída ao longo do território?’, questionou. Entre as alternativas viáveis de solução, o ministro enfatizou a necessidade de abertura de portos secos, que descentralizam a movimentação de cargas.
O ministro também enfatizou a necessidade de ações parlamentares conjuntas com atenção às fronteiras. “É preciso que os parlamentares construam uma agenda que valorize a fronteira”, defendeu. Ele comentou que as fronteiras são, historicamente, esquecidas, realidade que precisa ser mudada no processo de concretização da Rota Bioceância. “Agora estamos trazendo para o primeiro plano a necessidade de pensar as fronteiras em suas especificidades”, disse, acrescentando que essa preocupação com as fronteiras não deve se limitar à finalidade de escoamento da produção, mas também se estender à valorização das pessoas que moram em municípios fronteiriços.
Entre os parlamentares de outros países presentes na reunião, estava o deputado Enzo Cardozo, do Paraguai. Ele ressaltou a necessidade de engajamento político para que sejam criadas condições para melhoria da produção e exportação, com foco no produtor rural. “A classe política deve apoiar este projeto e criar condições para que os produtores rurais cheguem aos mercados internacionais com maior ganho de tempo e de dinheiro”, considerou o parlamentar.
Presidente da Frente Parlamentar para o Corredor Rodovário Bioceânico e coordenador da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio, o deputado Capitão Contar, afirmou que levará a discussão sobre a Rota para outras casas legislativas. “Estamos à disposião para debater esse tema aqui na Casa. Vamos cumprir essa missão de fazer ecoar esse importante tema e leválo para ser debatido em outras assembleia. Esse tema deve ecoar por toda América do Sul”, afirmou o deputado.
Durante a reunião, outros parlamentares usaram a palavra, destacando a importância da Rota Bioceânica na aproximação de mercados, na melhoria das exportações para a Ásia e importações de produtos asiáticos, além do avanço nas relações culturais entre o Brasil, Argentina, Paraguai e Chile.
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