A conta da obra de contenção do córrego na Avenida Ernesto Geisel continua sendo paga, principalmente, por quem trabalha na região. Com interdições, poeira, lama e bloqueios de acesso, comerciantes relatam queda de até 80% no movimento e dificuldades para manter as portas abertas.
Proprietário de uma garagem de veículos usados no cruzamento da Rua Bom Sucesso com a Ernesto Geisel, Diego Pires, 28 anos, afirma que o impacto foi imediato. “Oitenta por cento. Antes a gente era em quatro e não dava conta de atender. Hoje, quando somos cinco aqui, fica todo mundo parado”, relata.
Segundo ele, o fluxo de veículos despencou, e a situação foi agravada – ainda mais – após a interdição da ponte da Rua Bom Sucesso, que começou a desmoronar e precisou ser fechada. O bloqueio reduziu ainda mais o acesso aos comércios e afastou clientes. Muitos motoristas simplesmente deixam de entrar na via, posto que não terão para onde sair. Com isso, é óbvio, os comércios do entorno ficam de portas abertas, mas com pátios e cofres vazios.
Com aluguel de cerca de R$ 4 mil, Diego conseguiu negociar uma redução temporária de R$ 1 mil, mas afirma que o valor ainda pesa diante da queda brusca nas vendas. “Se eu sair daqui hoje, perco três aluguéis por quebra de contrato. Ou seja, mais de dez mil reais.”
Para além disso, o comerciante também explica que acaba tendo um gasto mensal de aproximadamente R$ 1 mil com a conta de água, já que tem que ficar lavando os veículos que estão em exposição com frequência pelo acúmulo de poeira que ocorre em consequência da obra ao lado da garagem.
Ele relata que a situação atinge também outros empresários da região. Um vizinho, segundo contou à equipe do TopMídiaNews, investiu mais de R$ 1 milhão na compra de um terreno para montar o próprio comércio e hoje enfrenta dificuldades até para receber clientes, já que tanto o acesso pela Bom Sucesso quanto pela Rua Ouro Negro estão fechados.
Em circunstâncias normais, a Ernesto Geisel é uma das vias mais movimentadas da cidade. “A gente não dava conta de atender”, lembra Diego. Agora, segundo ele, a movimentação intensa ficou na saudade – ao menos até a conclusão dos trabalhos.
Medo de ainda mais prejuízos
A nova prorrogação do prazo foi publicada no Diogrande dessa terça-feira (10), estendendo a entrega para 9 de agosto. Para moradores e comerciantes, no entanto, o histórico de adiamentos gera descrença. “Era novembro, aí foi dezembro, janeiro, fevereiro agora agosto? Mas desse jeito vai demorar mais uns cinco anos. Não é agosto, não!”, afirma Diego.
Com a nova prorrogação, o medo é de que o prazo se estenda além do sustentável, em termos financeiros, para os comerciantes locais, que já não sabem mais o que fazer para tentar minimizar os prejuízos causados pela obra.
Moradores também criticam o ritmo da exeução dos trabalhos. Segundo relato feito à reportagem, os operários chegam por volta das 7h e encerram as atividades entre 11h30 e meio-dia, sem retorno à tarde. “Eles trabalham um pouquinho, 11h30, meio-dia, e aí todo mundo vai embora”, afirmou um morador. Há ainda questionamentos sobre o uso de maquinário. “A máquina ficou ligada três horas parada, sem nada”, disse.
Diego reforça: “Chegaram segunda-feira, descarregaram a máquina. Ficou três horas ligada sem fazer nada. 9h27 começaram a trabalhar, meio-dia e meio pararam.”
Se houve surpresa com a nova prorrogação, ela foi mínima. Pode-se dizer que a decepção foi maior e mais perceptível nos comerciantes e moradores. O trecho entre a Rua da Abolição e a Rua Bom Sucesso está em obras há mais de um ano e, até agora, o que avança com mais constância é o prazo no calendário, enquanto o rombo nos bolsos dos comerciantes do entorno só aumenta.
FONTE: TOPMIDIA NEWS




