A senadora Tereza Cristina (PP-MS) descartou uma nova viagem a Washington (DC), nos EUA, para discutir as possíveis novas tarifas do presidente Donald Trump. Um ‘tarifaço’ sobre produtos brasileiros coloca a relação entre os países no centro das preocupações de exportadores.

Entretanto, a senadora sul-mato-grossense afirma que o CRE (Comissão de Relações Exteriores) vai atuar se necessário. “Isso depende do governo federal e dos setores afetados avaliarem a necessidade. Mas não considero que este seja o momento para uma missão parlamentar. Agora, o mais importante é que o Brasil esteja organizado para sentar à mesa de negociação. Se necessário, a diplomacia parlamentar poderá voltar a ser acionada”, afirmou em entrevista ao Correio Braziliense.

“Se houver demanda, a comissão estará pronta para atuar. Já conversei com o presidente da comissão, senador Nelsinho Trad, e estamos preparados”, afirma.

No ano passado, uma comissão formada por senadores foi aos Estados Unidos para discutir as tarifas de 50% impostas por Trump.

Tereza defende que o Brasil chegue às negociações com uma proposta própria e uma estratégia clara para evitar novas sanções. Segundo Tereza, a diplomacia continuou após a primeira visita às terras norte-americanas.

“Já vieram ao Brasil alguns congressistas. Outra semana atrás, nós recebemos uma comitiva de 12 assessores do Senado que vieram ao Brasil entender e conversar sobre o tema. Então, essa diplomacia, esse canal da diplomacia parlamentar, está aberto. Então, se houver a necessidade, nós iremos, sim, mas, na minha opinião, não é o momento ainda. Temos que esperar as negociações”, conta.

Além disso, Tereza diz que há muitos pontos que podem ser colocados em discussão para descartar as taxações. “O interesse do governo dos EUA são as tão famosas terras raras e os minerais críticos. O governo foi lá, o presidente Trump conversou com o presidente Lula, em encontros rápidos e depois em uma reunião mais longa. Mas nunca ouvimos falar de uma proposta dos dois lados, de uma discussão ampla entre as partes, como já fizeram a Europa, o Japão e outros países. O Brasil ainda não fez isso”, afirma.

Etanol

A senadora também comentou sobre a questão do etanol, que sempre volta à discussão. “Os americanos também têm o etanol como um tema que sempre esteve na mesa de negociação. Acho que, a partir deste momento, precisamos apresentar uma proposta mais ampla aos Estados Unidos. E quem deve conduzir esse trabalho é o Executivo, o governo”, ressalta.

Ela defende uma participação maior do etanol na composição dos combustíveis para movimentar o mercado interno. “O que a gente está vendo é que estamos subsidiando a gasolina e, quando você dá esse subsídio, o etanol acaba ficando mais caro na composição dos combustíveis. Se fizermos isso, talvez tenhamos até uma brecha para ampliar as negociações com os Estados Unidos e construir uma proposta de mais longo prazo”, diz.

“Tem muita coisa que ainda precisa ser decidida, mas tenho certeza de que o setor sabe disso e deve estar discutindo o tema junto ao governo federal, pensando em uma proposta a ser apresentada, quem sabe até uma carta na manga. Não sei como andam as tratativas com o Executivo, mas espero que exista uma estratégia para que a gente apresente uma proposta nossa, e não apenas receba uma proposta deles e faça o que os EUA querem”, diz à reportagem do Correio Braziliense.

Pix

A conclusão da investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ampliou as incertezas e acendeu o alerta em setores estratégicos da economia nacional, por conta da discussão sobre o Pix e desmatamento.

“Isso mostra o quanto a investigação é abrangente e abre espaço para que o Brasil seja questionado e, eventualmente, tarifado em diversas frentes. Essa é a nossa maior preocupação no momento. Alguns itens do primeiro tarifaço permaneceram na lista de exceções, que é extensa. O agro não teve nenhum produto retirado dessa lista”, diz.

Por outro lado, diversos produtos da indústria e do agronegócio ficaram de fora das exceções, como pescados e alguns segmentos da madeira. Para a senadora, isso é preocupante.

“Eu não sou especialista, mas acho que, com o Pix, muitas pessoas passaram a ter contas em bancos, e isso ampliou muito esse universo. Imagino também que muita gente tenha passado a ter acesso a cartões de crédito de várias bandeiras americanas. Mas acho que esse é, sim, um ponto. Os americanos costumam chamar isso de ‘ponto irritante’. Então, pode ser que o Pix tenha se tornado, talvez sem ter sido inicialmente, um ponto de irritação nas negociações”, afirma.

 

FONTE: MIDIAMAX