Guilherme Barrios Pereira Eleutério e sua companheira Brunielly Acunha Chimenes vão a júri popular pela execução de Janaina Sabino de Almeida, em Campo Grande.
Janaina foi executada na noite de 21 de novembro do ano passado, na BR-262, na região do Jardim Noroeste. Guilherme foi capturado no dia 18 de janeiro e, juntamente com a companheira, foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em fevereiro.
Na última quinta-feira (9), o casal foi pronunciado pelo juiz de Direito, Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. O magistrado constatou que há materialidade e indícios suficientes de autoria.
O casal negou o crime e qualquer participação nos fatos, alegando que estavam na casa da mãe do réu. Isso porque Guilherme estaria se recuperando das facadas que teria sofrido semanas antes por parte de Janaína.
“Todavia, nesta fase processual, a negativa dos acusados não encontra amparo suficiente para afastar a submissão da causa ao Tribunal do Júri, sobretudo porque os elementos colhidos sob o crivo do contraditório, aliados àqueles produzidos na fase inquisitorial, apontam, em tese, para o envolvimento de ambos nos fatos narrados na denúncia”, explicou o magistrado na decisão.
O casal é acusado de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Guilherme também responde por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Apenas Brunielly responde ao processo em liberdade.
Denúncia
Com as investigações finalizadas, a Polícia Civil concluiu que o acusado matou Janaina após uma perseguição e colisão proposital com a motocicleta que a mulher conduzia. No fim do mês, o acusado e sua companheira foram denunciados pelo MPMS.
Segundo a denúncia, Janaina teria se envolvido em uma desavença anterior com o acusado. No dia do crime, Guilherme conduzia um Gol, enquanto sua companheira estava no banco do passageiro. Eles partiram em busca da vítima para tentar matá-la e, em determinada localidade, iniciaram uma perseguição.
Na ocasião, Janaina conduzia a motocicleta com uma amiga na garupa. O acusado bateu três vezes na traseira do veículo e, quando Janaína caiu ao chão, ele desceu do carro, foi até ela e atirou. Depois, o casal fugiu.
Guilherme foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do porte ilegal de arma de fogo. Já Brunielly foi denunciada pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além do oferecimento da denúncia, o MPMS pediu que seja fixado um valor de 20 salários mínimos para reparação de danos.
Acusado negou autoria até ser confrontado pela polícia
Em depoimento, Guilherme negou a autoria e disse que desconhecia a dinâmica do crime. Porém, ele foi confrontado com a imagem de um Gol e inicialmente omitiu qualquer vínculo com o veículo. Depois, ao ser confrontado com uma foto ao lado do carro, o rapaz retificou a declaração e reconheceu que o veículo é de seu padrasto.
Guilherme também foi flagrado conduzindo um veículo Gol pelo mesmo local do crime. Naquela noite, a companheira dele desceu correndo atrás do carro, que apresentava problemas e deu pane, e empurrou o veículo. Posteriormente, a mulher subiu no carro e deixou o local com o companheiro.
“Tal fato corrobora com a condição física do suspeito, que, segundo ele próprio, apresentava limitações de locomoção em virtude de ferimentos pretéritos causados por facadas, supostamente desferidas pela própria vítima”, diz trecho do inquérito policial, já concluído.
A esposa de Guilherme também apresentou versões contraditórias durante o depoimento. Uma pessoa que teria presenciado Janaina desferindo as facadas no suspeito também foi ouvida, ocasião em que revelou que o acusado seria usuário de drogas.
Durante as investigações, a PM (Polícia Militar) encontrou um revólver de calibre .38 cano longo, compatível com a arma usada no crime.
FONTE: MIDIAMAX




