A morte de Wandete Góis da Silva, de 58 anos, passou a ser investigada como feminicídio pela Polícia Civil. Ela morreu no dia 2 de agosto após ser atropelada pelo marido na BR-463, no distrito de Sanga Puitã, em Ponta Porã, a 315 quilômetros de Campo Grande.
O marido de Wandete se apresentou na delegacia na manhã seguinte ao atropelamento e foi preso. Naquele dia, ele disse que Wandete se jogou contra o veículo e que não percebeu que a havia atingido. Por isso, foi embora do local sem prestar socorro.
Inicialmente, o caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando o condutor está sob a influência de álcool ou de outra substância psicoativa — o que aponta que ele dirigia embriagado.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil alterou a tipificação para feminicídio e Mato Grosso do Sul chega a 28 crimes desta natureza neste ano de 2026. Ao Jornal Midiamax, a Polícia Civil esclareceu que o inquérito ainda está em andamento.
“Houve alteração na tipificação para feminicídio, mas o inquérito ainda está em andamento, por este motivo não poderemos repassar mais informações, para não prejudicar o curso das investigações”, afirmou a corporação.
Agosto se tornou o mês mais letal para as mulheres em Mato Grosso do Sul, mês em que foram registrados oito feminicídios. O último caso de feminicídio registrado no Estado ocorreu em Campo Grande na tarde de quarta-feira (16).
Vera Lucia Rossate da Cunha foi assassinada dentro de seu comércio de aviamentos e cosméticos no bairro Zé Pereira. O autor foi o seu irmão, Judicrei Rossate da Cunha, que tirou a própria vida após o crime.
Feminicídios em 2026
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril;
- Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril;
- Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril;
- Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio;
- Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho;
- Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho;
- Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho;
- Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho;
- Ana Carolina Goes (Água Clara) – 30 de julho;
- Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho;
- Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto;
- Wandete Góis da Silva (Ponta Porã) – 2 de agosto;
- Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto;
- Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto;
- Joseane Oliveira Nunes (Campo Grande) – 19 de agosto;
- Fátima Alves de Matos (Costa Rica) – 21 de agosto;
- Marta Florentino Godoi (Aquidauana) – 24 de agosto;
- Adrieli dos Santos (Campo Grande) – 29 de agosto;
- Vera Lucia Rossatte da Cunha (Campo Grande) – 16 de setembro.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileiraestá localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190.Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
FONTE: MIDIAMAX




